Quase 30 homens são presos em operação contra violência doméstica e feminicídios no RS
Em 24 horas, ação da Polícia Civil ocorreu em 53 municípios e apreendeu armas de fogo durante o cumprimento de mandados
Operação envolveu 263 agentes em 53 municípios do Rio Grande do Sul Uma operação da Polícia Civil realizada ao longo de 24 horas na terça-feira (20/01) resultou na prisão de 29 homens investigados por violência doméstica e familiar contra mulheres no Rio Grande do Sul. A ofensiva, batizada de Operação Ano-novo, Vida Nova, também levou à apreensão de quatro armas de fogo e munições que estavam em posse dos agressores.
Coordenada pelo Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), a ação ocorreu simultaneamente em 53 municípios gaúchos e mobilizou 363 agentes da Polícia Civil. O objetivo foi cumprir mandados de prisão, busca e apreensão relacionados a investigações de violência doméstica, descumprimento de medidas protetivas e feminicídios.
A secretária-adjunta da Segurança Pública, Adriana da Costa, destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo estadual. Segundo ela, o registro das ocorrências é fundamental para a prevenção e repressão dos crimes.
— Sabemos que a violência requer prevenção e, no que tange à segurança pública, isso começa com o registro das ocorrências. Ações como esta demonstram que a Polícia Civil e a Brigada Militar, por meio da Patrulha Maria da Penha, estão preparadas para acompanhar os casos e apoiar essas mulheres — afirmou.
A operação integra as estratégias permanentes do governo do Estado para combater a violência doméstica e familiar, com atuação conjunta da Polícia Civil, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Instituto-Geral de Perícias (IGP). Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios. Nos primeiros 20 dias de 2026, sete mulheres foram mortas, contra nove no mesmo período do ano anterior.
Adriana da Costa ressaltou que o tema é tratado de forma contínua pela gestão estadual e envolve ações integradas com outras secretarias.
— O combate e a prevenção exigem mudança de mentalidade, o que passa também pela conscientização. É um problema que envolve toda a sociedade — pontuou.
Ação sistemática e preventiva
O diretor do DPGV, delegado Juliano Ferreira, afirmou que operações como esta passarão a ocorrer de forma sistemática, com checagem detalhada de denúncias.
— O trabalho é repressivo e preventivo. Estamos investindo cada vez mais na qualificação dos policiais que atendem essas mulheres e no fortalecimento da rede de proteção. Também é fundamental envolver outros atores sociais para discutir o machismo estrutural, porque a violência não é apenas um problema de polícia — destacou.
A diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher, delegada Waleska Alvarenga, informou que todos os autores de feminicídios registrados desde o início do ano estão presos. Ela ressaltou que a ofensiva estadual busca reduzir a sensação de impunidade.
— Muitos dos presos descumpriram medidas protetivas. Esta é uma ação clara de combate à impunidade e de interrupção dos ciclos de violência contra mulheres e meninas — afirmou.
Rede de prevenção e acolhimento
Além das operações repressivas, a Secretaria da Segurança Pública mantém uma série de ações permanentes de prevenção e acolhimento às vítimas. Entre elas está o Programa de Monitoramento do Agressor, que utiliza tornozeleiras eletrônicas e dispositivos móveis para evitar a aproximação dos agressores das vítimas. Atualmente, o programa monitora 803 agressores e acompanha 779 vítimas em todo o Estado.
Outra iniciativa é a parceria entre a SSP e a Secretaria da Saúde para o compartilhamento de informações sobre atendimentos de violência contra a mulher, permitindo respostas mais rápidas e redução da subnotificação. Também está em funcionamento a Medida Protetiva de Urgência on-line, que possibilita o pedido de proteção pela internet, além da atuação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e da Patrulha Maria da Penha.
O Instituto-Geral de Perícias, por meio da Seção Psicossocial do Departamento Médico-Legal, também oferece atendimento especializado às vítimas no momento do exame pericial, com orientações jurídicas, sociais e de saúde.
As autoridades reforçam que denúncias de violência doméstica podem ser feitas pelo telefone 190, da Brigada Militar, que funciona 24 horas por dia, e que a participação da sociedade é fundamental para prevenir novos casos e salvar vidas.






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