Leite é vaiado em evento com Lula em Rio Grande e pede respeito ao público
Governador reagiu às manifestações durante discurso em cerimônia no Polo Naval e voltou a cobrar correção de desequilíbrios federativos
Governador Eduardo Leite O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi vaiado durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizado nesta terça-feira (20/01), em Rio Grande. As manifestações ocorreram enquanto Leite discursava na cerimônia de assinatura do contrato para a construção de navios no Polo Naval e cobrava do governo federal mais incentivos fiscais ao Estado.
Diante das vaias, o governador interrompeu a fala e pediu respeito ao público, destacando o caráter institucional do evento e a legitimidade dos cargos ocupados por ele e pelo presidente da República.
— Vamos respeitar, por favor. Estou aqui cumprindo o meu dever institucional em respeito ao cargo que exerço em nome do povo do Rio Grande do Sul, com respeito ao presidente da República. Todos nós aqui, eu e o presidente, somos eleitos pelo mesmo povo. Eu respeito o cargo do presidente da República e peço respeito, por favor.
Leite também fez referência ao resultado apertado da eleição presidencial de 2022 e afirmou que a hostilização a posições divergentes aprofunda divisões políticas no país.
— O que faz essa postura de vocês é incendiar na outra metade ainda mais ódio, rancor e mágoa.
Apesar do episódio, o governador afirmou que o presidente Lula é bem-vindo ao Rio Grande do Sul e citou que costuma ser bem recebido por ministros em Brasília quando trata de demandas do Estado.
Cobrança por incentivos fiscais
Durante o discurso, Leite voltou a cobrar do governo federal medidas para corrigir o que classificou como desequilíbrio federativo, especialmente na concessão de incentivos fiscais. Ele citou a recente disputa envolvendo o distrito industrial de Rio Grande, que não conseguiu atrair um grande investimento do setor automotivo.
— Fizemos um grande esforço para atrair uma montadora de veículos para o distrito industrial de Rio Grande. Colocamos tudo que tínhamos na mesa como incentivos, mas infelizmente há um profundo desequilíbrio federativo que precisa ser corrigido.
O governador mencionou benefícios concedidos por órgãos federais a outras regiões do país, como a redução de até 75% do Imposto de Renda para empresas que investem na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
— Aqui no Sul, nós não temos. É uma distorção histórica que, em outros momentos, já fez com que montadoras deixassem o Rio Grande do Sul em busca de incentivos federais oferecidos a outras regiões.
Leite também citou o impacto do pagamento da dívida do Estado com a União, que, segundo ele, consome cerca de 10% do orçamento estadual, além de lembrar isenções tributárias concedidas a outras regiões, como abatimentos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
— Não estou pedindo para tirar absolutamente nada dessas outras regiões, mas é preciso corrigir essa profunda distorção que nos impõe mais dificuldades para atrair investimentos.
Ao encerrar a fala, o governador agradeceu a presença do presidente e os investimentos anunciados, mas reforçou a necessidade de maior atenção do governo federal às demandas do Rio Grande do Sul.
— Agradecemos o esforço, os investimentos e a atenção que está sendo dada, mas pedimos, sim, uma melhor atenção para reequilibrar essa condição federativa e permitir ao Rio Grande do Sul melhores condições de atração de investimentos. Essa é a nossa demanda.






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