EDITORIAL | As máfias não podem ter abrigo no Congresso
Operação Carbono Oculto derruba PEC da Blindagem e evidencia urgência de leis mais rigorosas contra o crime organizado

Poucas vezes a realidade desmentiu tão rapidamente um plano político de afronta à sociedade. A deflagração da Operação Carbono Oculto varreu para o lixo a vergonhosa Proposta de Emenda à Constituição que buscava tornar parlamentares praticamente intocáveis, mesmo sob suspeita de irregularidades. A ação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público revelou uma sofisticada engrenagem financeira, com ramificações na política e no aparato estatal, mostrando que nenhum espaço está a salvo do crime organizado.
A coincidência entre a revelação de movimentações bilionárias por meio de fintechs e a pressa de deputados em aprovar a PEC expôs o cinismo de quem tentava justificar a impunidade com a Constituição e a ideia de “prerrogativas”. Se aprovada, a proposta teria aberto caminho para que facções criminosas financiassem campanhas de dirigentes com proteção extra, minando investigações e corroendo o interesse público.
O desgaste da Câmara foi inevitável. A tibieza da liderança do presidente Hugo Motta permitiu que a proposta avançasse até o limite, demonstrando a falta de pulso para conter bancadas focadas em interesses próprios. A ousadia do Congresso quase se sobrepôs à lógica e à ética, mas a Operação Carbono Oculto provou que o desvio de recursos e o crime sofisticado não podem ser ignorados.
Ao mesmo tempo, a operação reforça a necessidade de medidas duras e coordenadas contra o crime organizado. A criação de uma agência que integre PF, Receita, Ministérios Públicos e polícias estaduais é essencial para garantir persecução judicial eficaz e estrangulamento financeiro das organizações criminosas. Projetos de lei que endureçam penas e fortaleçam instrumentos legais de investigação são urgentes e não podem ser postergados.
O sucesso da operação deve servir de alerta e piloto: é hora de o Congresso se alinhar com os interesses da sociedade, deixando de lado interesses corporativos e aprovando medidas que realmente protejam o país do crime organizado.
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