Plano de Transição Energética Justa para as regiões carboníferas avança do RS
Resultados da etapa 2 indicam novos caminhos para diversificação econômica, redução de emissões e financiamento sustentável

O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente
e Infraestrutura (Sema), através do Departamento de Mineração promoveu, na
quinta-feira (28/8), o 2º Workshop do Plano de Transição Energética Justa para
as regiões Carboníferas do Rio Grande do Sul, localizadas no Baixo Jacuí e na Campanha.
Durante a reunião, foram apresentados os resultados da Etapa
2 do plano, que detalha os desafios e oportunidades para reduzir a dependência
do carvão, aponta alternativas de diversificação econômica e indica cenários de
redução de emissões de gases de efeito estufa até 2050, em alinhamento às metas
globais de descarbonização.
A elaboração do plano está a cargo do consórcio WayCarbon –
Centro Brasil no Clima, que conduziu o workshop e apresentou os oito produtos
resultantes da segunda etapa:
- Aspirações e condições de contorno do Governo;
- Aspirações e condições de contorno do Mercado;
- Aspectos distintivos da transição energética justa do RS;
- Diagnóstico do setor energético estadual;
- Modelo de custos comparativos entre energia termelétrica e
renováveis; - Demanda regional e reposicionamento econômico;
- Cenários de geração termelétrica nas regiões carboníferas;
- Financiamento sustentável.
Na parte da manhã, em uma reunião técnica, os resultados de
cada produto foram detalhados para os representantes do governo estadual. À
tarde, foi realizado um webinar aberto ao público, em formato virtual, para
apresentar os resultados à sociedade.
O evento contou com a participação de representantes do
setor, sindicatos, prefeituras, e de cidadãos que estiveram presentes nas
reuniões e consultas públicas já promovidas anteriormente.
Economia de baixo carbono
A secretária do Meio Ambiente, Marjorie Kauffmann, destaca
que este é um processo fundamental para assegurar que o Rio Grande do Sul
avance rumo a uma economia de baixo carbono de forma inclusiva e responsável.
— Nosso compromisso é construir soluções que preservem
empregos, valorizem as comunidades locais e preparem as regiões carboníferas
para um futuro sustentável, alinhado às metas globais de descarbonização —
afirmou.
Felipe Bittencourt, sócio e fundador do Consórcio WayCarbon,
afirma que sempre é um desafio pensar na transição energética, ainda mais em um
Estado tão importante como o Rio Grande do Sul.
— É um tema, sem dúvida, na vanguarda mundial e eu fico
muito feliz em poder trazer para o Rio Grande do Sul o que há de mais moderno
nas discussões climáticas no mundo — reforça.
Avanço nos trabalhos
O diretor de Mineração da Sema, Otávio Pereira, destaca que
o trabalho tem sido conduzido de forma conjunta ao longo dos últimos meses.
— Agora, o plano enriquece cada vez mais o nosso trabalho
enquanto governo. O desafio que enfrentamos com as cadeias carboníferas,
especialmente diante das mudanças climáticas, é grande. Mas, com embasamento
técnico e trabalho conjunto, acreditamos que será possível alcançar resultados
satisfatórios — afirma.
Os resultados apresentados vão servir como base para a próxima
fase do plano, a Etapa 3, que deve detalhar o desenvolvimento econômico,
avaliar impactos socioambientais e apresentar o roteiro de implementação da
transição energética justa. O objetivo é garantir que a mudança para uma
economia de baixo carbono seja inclusiva, participativa e sustentável,
preservando a identidade cultural das regiões.
O primeiro workshop foi realizado em fevereiro de 2025,
quando houve a apresentação do plano de trabalho, primeiro produto da Etapa 1.
Principais resultados da Etapa 2
Produto 2: Aspirações e Condições de Contorno do Governo
O plano identificou os principais desafios (segurança
energética, infraestrutura e dependência do carvão pela indústria do cimento) e
as oportunidades (descarbonização das usinas, gaseificação do carvão,
desenvolvimento de cadeias produtivas locais e melhor aproveitamento logístico)
para a transição energética justa.
Produtos 3 e 4: Aspirações do Mercado e Aspectos Distintivos do RS
Para entender as aspirações de mercado, foram realizadas
consultas públicas, reuniões e entrevistas com diferentes setores que apontaram
caminhos para diversificação produtiva: agropecuária de maior valor agregado
(vinhos, azeites e carnes premium), turismo sustentável e cultural,
silvicultura, biocombustíveis e indústria carboquímica. Essas alternativas
visam gerar empregos e reposicionar a economia regional, respeitando as
especificidades das regiões carboníferas.
Produto 5: Diagnóstico Energético do RS
A etapa apresentou o panorama energético do setor,
identificando vulnerabilidades e potencial de expansão em fontes renováveis
como solar, eólica e biometano.
Produto 6: Custos da Transição Energética
A análise comparativa mostrou que as fontes solar e eólica
são hoje as mais competitivas, enquanto o carvão nacional aparece como a
alternativa menos viável economicamente.
Produto 7: Diversificação e Reposicionamento Econômico
A análise apontou vocações específicas para cada região,
como agropecuária, turismo, energias renováveis, biogás/biometano, indústria de
transformação e serviços tecnológicos, reforçando a possibilidade de absorver
mão de obra e fortalecer as economias locais.
Produto 8: Cenários de Emissões de GEE
Foram projetados três possíveis cenários:
- Planejamento energético: operação das usinas até o fim dos
contratos; - Modernização: co-combustão com biomassa;
- Inovação tecnológica: gaseificação do carvão com captura de
carbono (CCS), migrando gradualmente para biomassa até 2050.
Produto 9: Financiamento Sustentável
O levantamento mapeou fontes nacionais e internacionais de
recursos para viabilizar projetos de energia renovável, agropecuária de baixo
carbono, turismo sustentável, indústria carboquímica e recuperação ambiental de
áreas degradadas.
Plano de Transição Energética justa para as regiões
carboníferas do RS
A construção de um Plano de Transição é essencial para
alinhar o Estado ao compromisso assumido na COP26 de reduzir 50% das emissões
até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Embora o Baixo Jacuí e
a Campanha tenham desempenhado papel histórico no desenvolvimento econômico e
cultural, essas regiões concentram parte significativa das emissões do Estado.
O plano busca assegurar que a mudança da matriz energética
ocorra de forma inclusiva, preservando empregos e comunidades, e promovendo um
futuro sustentável para a população local, fomentando a diversidade econômica
das regiões.
COMENTÁRIOS