Safra de verão do RS deve alcançar 32,8 milhões de toneladas
Estimativa indica crescimento em relação ao ciclo anterior, mas estiagem já reduziu produtividade das lavouras
Soja concentra maior produção O Rio Grande do Sul deve colher cerca de 32,8 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2025/2026. A projeção foi apresentada nesta terça-feira (10/03) pelo presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, durante coletiva de imprensa realizada na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
O volume estimado representa aumento de 24% em relação à safra anterior, que foi fortemente impactada pela estiagem. Mesmo assim, o atual ciclo também registrou períodos de falta de chuva em algumas regiões, o que reduziu a produtividade das lavouras.
De acordo com o levantamento, houve queda de 7,1% na produção projetada em comparação com a primeira estimativa da safra, divulgada no início do ciclo, que indicava 35,4 milhões de toneladas.
Soja concentra maior produção
A principal revisão ocorreu na soja, cultura com maior área plantada no Estado. Após registrar cerca de 13,2 milhões de toneladas na safra passada, com perdas estimadas em 38%, a produção da oleaginosa deve chegar a aproximadamente 19 milhões de toneladas neste ciclo.
Mesmo com o crescimento em relação ao ano anterior, o volume representa redução de 11,3% frente à estimativa inicial, em razão das perdas de produtividade provocadas pela estiagem e pelas altas temperaturas registradas em janeiro.
Algumas regiões foram mais afetadas. Na área da regional de Santa Rosa, por exemplo, a estimativa aponta redução média de 27% no rendimento das lavouras em comparação com o potencial inicialmente previsto.
Milho apresenta desempenho positivo
Entre as demais culturas de verão, o milho apresenta cenário mais favorável. A área cultivada foi estimada em 803 mil hectares, com produtividade média de 7.424 quilos por hectare e produção total de cerca de 5,9 milhões de toneladas.
Em relação à projeção inicial, houve aumento de 2,3% na área plantada e crescimento próximo de 3% na produção estimada. Na comparação com a safra anterior, também houve ampliação de quase 100 mil hectares cultivados no Estado.
Arroz e feijão
No caso do arroz, os dados seguem a revisão feita pelo Instituto Rio Grandense do Arroz. A área plantada foi ajustada de 920 mil para 891 mil hectares, retração de 3,1%. Como a cultura é majoritariamente irrigada, a produtividade permanece praticamente estável, com estimativa de colheita de 7,8 milhões de toneladas.
Já o feijão da primeira safra ocupa cerca de 23 mil hectares, com produção estimada em 41 mil toneladas. A área cultivada teve redução de 11,8%. Na segunda safra, o cultivo é ainda menor, com cerca de 7,7 mil hectares e produção prevista de 11,7 mil toneladas, queda de 33,5% na área plantada.
Impactos econômicos
Além da produção, a Emater também alerta para os impactos econômicos da redução de produtividade, principalmente nas regiões mais afetadas pela estiagem. Em algumas localidades, lavouras registram perdas que podem chegar a 50% ou 60%.
Outro fator que preocupa é a redução no acesso ao crédito e ao seguro rural. Segundo levantamento da Emater, a relação entre área cultivada, área financiada e área segurada está atualmente no menor nível da série histórica no Estado.
Esse cenário pode influenciar o próximo ciclo agrícola. Com menor capital disponível, parte dos produtores pode reduzir investimentos ou a área cultivada na safra de inverno, dependendo das condições financeiras e das perspectivas de mercado.






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