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São Jerônimo, RS,06/11/2026

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Governo do RS retira apoio ao polêmico projeto da Mina Guaíba

Eduardo Leite vem defendendo o fim do uso de carvão no Rio Grande do Sul, em contraste com posições anteriores do Piratini

Carla Trainini / Banco de Imagens
Governo do RS retira apoio ao polêmico projeto da Mina Guaíba Governo do RS retira apoio ao polêmico projeto da Mina Guaíba
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Depois de polêmicas ambientais e ações na Justiça, o projeto da Mina Guaíba para extrair carvão na Região Metropolitana, entre Charqueadas e Eldorado do Sul, enfrenta um novo obstáculo. Segundo reportagem da GaúchaZH publicada nesta terça-feira (28/09), o governo gaúcho, que até o ano passado defendia a exploração do mineral como política de Estado, mudou de posição e sinaliza desistência dessa iniciativa.
Segundo a reportagem, o governador Eduardo Leite tem pregado o fim do uso do carvão e chegou a dizer em uma entrevista que a mina “não vai sair”. A iniciativa se encontra suspensa por solicitação dos próprios empreendedores e sem prazo para retomada.
O atual posicionamento do governo vai contra manifestações anteriores do Piratini sobre o projeto, que prevê em um segundo momento a instalação de um polo carboquímico para a gaseificação do carvão. Em janeiro do ano passado, o ex-secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura e atual chefe da Casa Civil, Artur Lemos, ao falar sobre os problemas ambientais observados em indústrias desse setor em países como Estados Unidos e China, defendeu a implantação do complexo carboquímico. Ele lembrou também que essa estratégia está prevista em uma lei de estímulo ao setor aprovada pela Assembleia Legislativa ainda na gestão do governador José Ivo Sartori (2015-2018). Na época, Lemos também descartou o risco de problemas ambientais graves em razão da proximidade com o Parque Estadual Delta do Jacuí.
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Nas últimas semanas, porém, o governador Eduardo Leite têm dado declarações bem diferentes. Em entrevista ao Flow Podcast na sexta-feira (24/09), Leite afirmou que:
– A gente precisa reduzir emissões (de poluentes), e isso envolve uma política, sim, de descarbonização a partir de mudança de matriz energética (...). O Rio Grande do Sul tem a maior parte da reserva de carvão do Brasil. Mesmo assim, eu entendo que a gente deve avançar na direção de acabar com esse tipo de geração – disse, descartando a possibilidade de abertura da Mina Guaíba e informando que o processo está arquivado.
Procurado pela reportagem da GaúchaZH, o Piratini informou que o governador fez referência a “um pedido do próprio empreendedor para arquivar administrativa e temporariamente o processo”.
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Também para a reportagem da GaúchaZH, o diretor da Copelmi, Carlos Faria, afirmou que foi solicitada uma “suspensão” do licenciamento em razão de ações judiciais e polêmicas ambientais, mas que não é uma medida definitiva. Sobre a mudança de posicionamento do governo do Estado, Carlos Faria disse que a Copelmi fez um trabalho ao longo de vários anos junto a outros governos gaúchos e ao de Eduardo Leite.
- Agora, aguardamos uma posição efetiva do governo, para lá ou para cá. Pedimos efetivamente essa suspensão (do projeto) para que possamos ter uma definição do próprio governo do que vai ser feito – disse Carlos Faria.
Independentemente das posições públicas divulgadas pelo Piratini, a eventual aprovação do projeto depende da resolução dos problemas apontados nas ações judiciais - como a falta de análise sobre o impacto da extração do mineral em comunidades indígenas - e do reinício das análises ambientais por parte da Fepam. Até o momento, não há perspectiva de que isso seja retomado.
Segundo a matéria da GaúchaZH, Carlos Faria sustenta que a Copelmi não é contrária a uma transição energética que reduza a participação do carvão na matriz energética estadual em um prazo até 2050.
– A Copelmi tem consciência da (necessidade de) descarbonização ao longo do período, mas isso não pode se dar da noite para o dia. Tem de ser feita uma política de redução, de trabalho com cada região, de gerar novos empregos e migrar a mão de obra – observa Faria.
O diretor da carbonífera entende que, dessa forma, ainda seria possível conciliar a meta de maior preservação ambiental com a implantação do complexo carboquímico por meio de uma redução gradual do uso do mineral ao longo das próximas décadas:
– Temos praticamente 25 anos de hoje até 2050. Isso permite, em termos financeiros, desenvolver o projeto (carboquímico), gerar energia e fechar o projeto perfeitamente bem. Temos de aproveitar o que temos, dentro da consciência ambiental que nós também temos. A Copelmi trabalha há mais de 130 anos no Rio Grande do Sul.

O PROJETO MINA GUAÍBA

A Mina Guaíba ocupará uma área de 4,5 mil hectares e a Copelmi busca a licença de instalação (que permite o início das obras) para o empreendimento avaliado em até R$ 600 milhões.
Na fase de operação, que deve durar 30 anos, está prevista a extração de 166 milhões de toneladas de carvão, além de 422 milhões de metros cúbicos de areia e outros 200 milhões de metros cúbicos de cascalho. Nesta fase, deverão ser arrecadados R$ 218 milhões em impostos por ano, sendo R$ 143 milhões diretos do empreendimento. A expectativa é que o empreendimento cause um impacto de 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio Grande do Sul.
Durante o período de construção da mina, ao longo dos três anos da obra, serão ofertados 331 empregos diretos e 83 empregos indiretos. Nesta fase, os empregos serão temporários. A mina terá uma duração de 30 anos e, neste período, serão gerados, aproximadamente, 1.150 empregos diretos e 3.360 empregos indiretos.
Segundo as previsões da Copelmi, a instalação da mina deverá iniciar em 2020 e em 2023 já estará operando. O fechamento está previsto para 2052.
A área será recuperada durante o período de operação e, quando a mina for fechada, o terreno estará pronto para receber outros investimentos, como agricultura ou pecuária, não gerando passivo ambiental.

Com informações da GaúchaZH

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