João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | O café da telha
Somente para iniciados
João Adolfo Guerreiro
O mais interessante da cidade, nenhum outro café é tão diferenciado quanto ele. Pode haver um outro tão bom, mas não igual. O café da telha. Qual o diferencial?
Pois eu falei para alguns de meus amigos, escolhidos a dedo, que o sabor único vem das telhas, cuja água que por elas escorre dos beirais em dia de chuva é recolhida, minuciosamente filtrada, devidamente fervida, engarrafada e depois utilizada para coar o café de boa qualidade - passado no saco! Agua 100% charqueadense, vinda do nosso belo céu, abençoada por Santa Bárbara. Uns não acreditaram e riram, outros ficaram com medo ou nojinho: a esses, não revelei o local e tampouco convidei para o deleite. Só os confirmados, cafeteiros convictos, corajosos e raiz, tiveram oportunidade para o deleite: o Luiz e o Franke.
- A primeira rodada eu pago, pois convidei - afirmei.
Sentados nas poltronas mais confortáveis da cidade, receberam da dona, em xícaras de louça branca, o inimitável líquido negro de aroma e sabor inconfundíveis.
- Usufruam, meus caros.
Sorveram e pude ver em seus rostos o misto de surpresa, prazer e encantamento.
- Uma fatia de bolo de baunilha para o acompanhamento, por favor.
Ali mesmo constituímos a Confraria de Café da Telha, restrita aos iniciados. Nosso patrimônio, nosso regozijo. Casualmente, três gremistas em confraderia, compartilhando do café ao futebol.
Ah, hoje é quinta-feira. Dia de café da telha. Estaremos servidos. Muito bem servidos e satisfeitos.
IMPORTANTE: não vão sair agora à moda louco recolhendo água da chuva e usando pra fazer café, sem o devido processo sanitário da mesma, que isso será prejudicial à saúde por a água da chuva ser naturalmente imprópria ao consumo humano, sendo que apenas em casos de emergência ou escassez a mesma deve ser consumida, após rigoroso tratamento. Eu jamais a uso em casa na alimentação.





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