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São Jerônimo, RS,05/11/2026

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Audiência pública debate instalação da Mina Guaíba

Encontro expôs visões distintas sobre o projeto de mineração da Copelmi a ser instalado entre Charqueadas e Eldorado do Sul

Carla Miller Trainini
Audiência pública debate instalação da Mina Guaíba Prefeito de Butiá, Daniel Almeida, entregou moção de apoio dios prefeitos da região
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Aconteceu na noite desta quinta-feira (27), a segunda audiência pública
promovida pela Fepam para debater o Projeto Mina Guaíba, a maior mina de carvão
a céu aberto do país a ser instalada nos municípios de Charqueadas e Eldorado do
Sul pela Copelmi Mineração, que busca as licenças ambientais para iniciar as
atividades.


A audiência pública aconteceu na Escola Municipal David Riegel Neto, diante de
uma plateia de cerca de 1,2 mil pessoas que lotou as cadeiras e ocupou boa
parte das arquibancadas do ginásio da escola.


Desde o começo do encontro ficou clara a existências de dois grupos distintos
participando do evento. De um lado, os defensores do empreendimento por
entenderem que ele é seguro do ponto de vista ambiental e pela geração de
recursos financeiros e empregos para a população dos municípios das regiões
envolvidas. De outro lado, ambientalistas posicionando-se contra a iniciativa
por supostos riscos à natureza. O público levou cartazes, faixas e camisetas
com mensagens favoráveis ou contrárias à iniciativa. Os ânimos dos
participantes estavam bastante alterados e houve, inclusive, um princípio de tumulto.


O evento foi aberto com a exposição do projeto pela Copelmi Mineração, que defendeu
o avanço do empreendimento e apontou os futuros benefícios que trará à economia
do Estado. O projeto de exploração de carvão prevê que a Mina Guaíba ocupe 4,5
mil hectares entre Charqueadas e Eldorado. De acordo com a empresa, as novas
tecnologias garantem a segurança do empreendimento, que vai extrair 166 milhões
de toneladas de carvão de forma sustentável e que, no futuro, garantirão a
instalação de um polo carboquímico que vai gerar até US$ 4,4 bilhões em
investimentos.


Ambientalistas criticam o projeto porque a mina se ficará próxima ao Delta
do Rio Jacuí, envolvendo desvios em cursos d'água e possíveis impactos na fauna
e flora. Famílias do Assentamento Apolônio de Carvalho, em Eldorado do Sul, e
do Guaíba City, em Charqueadas, serão realocadas para dar lugar ao
empreendimento, caso seja aprovado. O local para onde irão as famílias e a produção de arroz
orgânico serão decididos com diálogo entre a empresa e os assentados, garante a empresa. Os ambientalistas
cobraram, ainda, a realização de uma audiência pública em Porto Alegre.


Alvo de vaias e aplausos de grupos presentes no ginásio, o gerente de Sustentabilidade
Corporativa da Copelmi, Cristiano Weber, apresentou dados técnicos do projeto e
respondeu a perguntas da plateia.


Uma das participantes questionou a Copelmi sobre o que motivou a escolha da
área da mina e quais seriam os efeitos do projeto sobre o meio ambiente e o Rio
Jacuí.


— Todas as possibilidades de impacto foram tratadas com medidas de controle.
Teremos impactos positivos, como geração de empregos e tributos. A qualidade de
água do Jacuí será preservada devido a ferramentas de controle — respondeu
Weber.


Pela região Carbonífera, diretamente interessada na instalação da Mina Guaíba,
se manifestaram em apoio ao projeto o presidente do Sindicato dos Mineiros,
Oniro Camilo; o mineiro Larri Oliveira; o vice-prefeito de Charqueadas, Edilon
Lopes; a advogada Irani Medeiros e o prefeito de Butiá, Daniel Almeida, que entregou aos representes da Fepam uma moção de apoio ao empreendimento assinada
pelos sete prefeitos dos municípios da região Carbonífera.


Todas as manifestações dos representantes da região Carbonífera foram no
sentido de apoiar a empresa por entenderem que irá gerar empregos e renda e, ainda, porque, segundo eles, não existem consequências negativas ao meio ambiente ou à saúde da
população da região onde existem atividades de extração de carvão.


Esta segunda audiência ocorreu depois de um primeiro encontro, realizado em
março, em Charqueadas. Para realizar o evento em Eldorado do Sul, a Fundação
Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) atendeu a uma recomendação do Ministério
Público Estadual (MPE) e do Ministério Público Federal (MPF). Diretor-técnico da
Fepam, Renato Chagas foi o responsável pela mediação da audiência, que comparou
a “um jogo de futebol do Grêmio ou do Inter” devido às manifestações de parte
da plateia enquanto representantes da Copelmi apresentavam o projeto ou
respondiam às perguntas.
A audiência pública encerrou no início da madrugada, por volta das 2h.




EIA/RIMA

A audiência debateu o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do empreendimento. O EIA/RIMA está disponível para consulta da população no
link:
http://copelmi.com.br/eia-rima-mina-guaiba/
e nos seguintes endereços:


- Prefeitura de Eldorado do Sul – Situado Estrada da Arrozeira, nº 270 - na
SEPLAN está um computador disponível exclusivamente para o acesso aos
documentos das 08h às 14h de segunda à sexta.


- Prefeitura de Charqueadas – Av. Dr.José Athanasio, nº 460- na Ouvidoria há um
computador disponível para o acesso aos documentos das 08h às 14h de segunda à
sexta.


- No prédio da FEPAM em Porto Alegre – Av. Borges de Medeiros, 261 – 1º andar -
centro Porto Alegre/RS, de segunda á sexta das 09h às 12h e das 14h às 17h.




O PROJETO MINA GUAÍBA



A Mina Guaíba ocupará uma área de 4,5 mil hectares e a Copelmi busca a licença
de instalação (que permite o início das obras) para o empreendimento avaliado
em até R$ 600 milhões.


Na fase de operação, que deve durar 30 anos, está prevista a extração de 166
milhões de toneladas de carvão, além de 422 milhões de metros cúbicos de areia
e outros 200 milhões de metros cúbicos de cascalho. Nesta fase, deverão ser
arrecadados R$ 218 milhões em impostos por ano, sendo R$ 143 milhões diretos do
empreendimento. A expectativa é que o empreendimento cause um impacto de 4,5%
no Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio Grande do Sul. 


Durante o período de construção da mina, ao longo dos três anos da obra, serão
ofertados 331 empregos diretos e 83 empregos indiretos. Nesta fase, os empregos
serão temporários. A mina terá uma duração de 30 anos e, neste período, serão
gerados, aproximadamente, 1.150 empregos diretos e 3.360 empregos indiretos.


Segundo as previsões da Copelmi, a instalação da mina deverá iniciar em 2020 e
em 2023 já estará operando. O fechamento está previsto para 2052.


A área será recuperada durante o período de operação e, quando a mina for
fechada, o terreno estará pronto para receber outros investimentos, como
agricultura ou pecuária, não gerando passivo ambiental.



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