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São Jerônimo, RS,23/09/2026

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Mais de 5,7 mil empregos perdidos no varejo gaúcho até julho. E a pergunta continua sendo a mesma: quem está pensando no futuro econômico das nossas cidades?

Desenvolvimento exige planejamento, investimento, qualificação profissional, infraestrutura, crédito, incentivo ao empreendedorismo e, principalmente, uma política capaz de fazer a riqueza circular onde as pessoas vivem. Eu não quero uma Região Carbonífer

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Mais de 5,7 mil empregos perdidos no varejo gaúcho até julho. E a pergunta continua sendo a mesma: quem está pensando no futuro econômico das nossas cidades? Quando o emprego desaparece, o problema não termina na porta da empresa que demitiu. Ele atravessa a rua e chega ao comércio. Entra no mercado. Chega ao pequeno empreendedor. Bate na porta da família. É uma cadeia
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Marcelo Noronha*

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Eu poderia simplesmente reproduzir o número, lamentar a situação e seguir para a próxima notícia. Mas não consigo.

Porque, para mim, cinco mil empregos não são cinco mil linhas em uma planilha. São pessoas. São famílias. São contas que chegam no fim do mês. São planos que precisam ser adiados. São jovens que começam a olhar para outras cidades porque aqui não encontram oportunidades. E é justamente aí que eu penso na Região Carbonífera.

Eu conheço a nossa realidade. Sei que, quando um trabalhador recebe seu salário, esse dinheiro não fica parado na conta bancária. Ele circula. Vai para o supermercado, para a farmácia, para a loja, para o restaurante, para o posto de combustível, para o pequeno prestador de serviço. O salário de um trabalhador movimenta uma cidade inteira.

Por isso, quando o emprego desaparece, o problema não termina na porta da empresa que demitiu. Ele atravessa a rua e chega ao comércio. Entra no mercado. Chega ao pequeno empreendedor. Bate na porta da família. É uma cadeia.

E eu fico me perguntando: qual é o projeto que estamos construindo para regiões como a nossa? Porque, de quatro em quatro anos, nós ouvimos discursos maravilhosos sobre desenvolvimento regional. Aparecem promessas de investimentos, obras, empregos, infraestrutura e oportunidades.

Depois da eleição, muitas dessas promessas parecem sofrer de uma doença curiosa: desaparecem tão rapidamente quanto apareceram. Enquanto isso, as cidades continuam aqui. São Jerônimo continua aqui. Charqueadas continua aqui. A Região Carbonífera continua aqui.E os trabalhadores também.

Nós precisamos parar de tratar o interior como cenário eleitoral. Uma fotografia bonita durante a campanha não desenvolve uma região. Uma promessa de palanque também não.

Desenvolvimento exige planejamento, investimento, qualificação profissional, infraestrutura, crédito, incentivo ao empreendedorismo e, principalmente, uma política capaz de fazer a riqueza circular onde as pessoas vivem. Eu não quero uma Região Carbonífera conhecida apenas pelo passado. Eu quero uma região capaz de construir seu futuro.

Quero que nossos jovens possam encontrar emprego aqui. Quero que o pequeno comerciante consiga manter sua porta aberta. Quero que quem empreende tenha condições de crescer. Quero que o trabalhador tenha renda suficiente para consumir e viver com dignidade.

Porque existe uma diferença enorme entre anunciar desenvolvimento e produzir desenvolvimento. Os mais de cinco mil empregos perdidos no varejo gaúcho deveriam servir como um sinal de alerta. E eu gostaria que esse alerta chegasse aos gabinetes onde são tomadas as decisões. Não quero saber apenas quem será o próximo governador, deputado ou senador. Eu quero saber qual projeto cada candidato tem para regiões como a nossa. Quero saber de onde virão os empregos. Quero saber quais investimentos serão feitos. Quero saber como o interior será incluído. Quero saber se a Região Carbonífera continuará sendo lembrada somente quando chega a época da campanha.

Porque, no final, a pergunta é simples. Se o emprego é a base da dignidade e o comércio é uma das principais engrenagens da economia local, quem está pensando no dia seguinte? Eu não quero mais discursos dizendo que o interior é importante.

Eu quero políticas públicas que provem isso.Porque cinco mil empregos a menos não são apenas cinco mil pessoas desempregadas. São cinco mil sinais de que alguma coisa precisa mudar. E eu prefiro ouvir essa mensagem agora, enquanto ainda podemos fazer alguma coisa, do que daqui a alguns anos, quando alguém aparecer diante das nossas cidades perguntando por que os nossos jovens foram embora.


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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