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São Jerônimo, RS,17/09/2026

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Impulsionado pela soja, PIB do RS cresce 3,3% no primeiro semestre de 2026

Desempenho da agropecuária gaúcha foi decisivo para o resultado, com crescimento de 19,7% no período, enquanto a economia brasileira avançou 1,9%

Embrapa / Banco de Imagens
Impulsionado pela soja, PIB do RS cresce 3,3% no primeiro semestre de 2026 Impulsionado pela soja, PIB do RS cresce 3,3% no primeiro semestre de 2026
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A economia do Rio Grande do Sul apresentou desempenho superior ao registrado pelo Brasil no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do Departamento de Economia do Estado (DEE/RS), o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho cresceu 3,3% nos seis primeiros meses do ano, enquanto o avanço da economia brasileira foi de 1,9%.

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O principal fator para o resultado foi a agropecuária, especialmente o desempenho da safra de soja. Depois de uma produção prejudicada pela estiagem em 2025, a colheita deste ano apresentou recuperação e contribuiu diretamente para o crescimento da economia estadual.

De acordo com o pesquisador do DEE-RS Martinho Lazzari, a agropecuária gaúcha cresceu 19,7% no primeiro semestre, enquanto o setor avançou 3,6% em nível nacional.

— A agropecuária foi o grande diferencial por pegar o período da safra da soja. Esse segmento cresceu 19,7%, bem acima dos 3,6% do Brasil. No final, isso acaba determinando um desempenho superior do Estado — explicou.

Segundo trimestre registra crescimento ainda maior

A diferença entre os desempenhos estadual e nacional aumenta quando é analisado apenas o segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Nesse intervalo, a agropecuária do Rio Grande do Sul apresentou crescimento de 37,4%, enquanto o setor avançou 6,8% no Brasil. Como consequência, o PIB gaúcho cresceu 5,7%, contra 2% da economia brasileira.

Além da soja, o milho também contribuiu para o resultado positivo da agropecuária.

Lazzari destaca que a forte expansão está relacionada também à base de comparação. A safra de 2025 foi prejudicada pela estiagem, enquanto a produção de 2026, embora tenha ficado abaixo das primeiras projeções, apresentou resultado positivo.

— É a comparação de uma safra que foi boa, embora menor do que se projetava inicialmente, com uma safra ruim. A estiagem afetou muito a produção agrícola no ano passado. Então, tínhamos uma base bem fraca para a comparação e, por isso, a taxa fica tão alta e superior à do Brasil — afirmou.

Indústria também registra avanço

A indústria gaúcha cresceu 1,8% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 1,5%.

Alguns segmentos tiveram desempenho bastante superior à média da indústria. Entre eles estão os produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, que registraram crescimento de 25,1% no Estado.

Um dos fatores apontados para esse resultado é a retomada das atividades da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, após uma parada de manutenção realizada no ano passado.

O setor automotivo também apresentou recuperação, em meio ao retorno das operações da General Motors em Gravataí. A unidade passou por paralisações e períodos de lay-off em 2025 durante a preparação para a produção do novo SUV da Chevrolet, o Sonic.

Na direção contrária, o segmento de máquinas e equipamentos segue apresentando retração. Conforme o DEE-RS, o setor enfrenta o segundo ano consecutivo de queda.

Segundo Lazzari, o segmento é influenciado pelo ciclo de preços das commodities, que permanece em patamar baixo, além do endividamento, que reduz a produção e as vendas de equipamentos, principalmente os destinados à atividade agrícola.

Serviços crescem menos que no país

O setor de serviços teve comportamento diferente do observado na economia brasileira. Enquanto os serviços cresceram 1,5% no Brasil, o Rio Grande do Sul registrou alta de 1,1% na comparação anual.

Por outro lado, o comércio gaúcho apresentou desempenho levemente superior ao nacional, principalmente nas vendas de bens de primeira necessidade.

Os produtos que dependem de maior disponibilidade de crédito, porém, tiveram desempenho mais fraco.

Na avaliação do DEE-RS, o setor de serviços passa por um processo de acomodação após o crescimento registrado no período posterior às enchentes de maio de 2024. Naquele momento, a necessidade de reposição de itens básicos impulsionou o consumo e movimentou a economia estadual.

O resultado do primeiro semestre de 2026, portanto, reflete principalmente a recuperação da agropecuária, com destaque para a soja, além da retomada de segmentos importantes da indústria gaúcha.


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