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São Jerônimo, RS,17/09/2026

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MARCELO NORONHA | Quatro equipes, quatro histórias e uma entrevista que já virou resultado

Calma. Antes que alguém diga que eu descobri o resultado antecipadamente, explico. Eu entrevistei os quatro representantes. Portanto, matematicamente, eu já entrevistei o campeão. O problema é que eu ainda não sei qual deles será. E talvez seja justamente

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MARCELO NORONHA | Quatro equipes, quatro histórias e uma entrevista que já virou resultado
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Marcelo Noronha*

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Eu tenho uma relação curiosa com o 6º Festival de Artes Cênicas de São Jerônimo. Todos os anos, acompanho a movimentação, escuto as histórias e tento entender o que existe por trás de toda aquela grandiosidade que aparece no palco. Neste ano, pela segunda vez entrevisei os quatro representantes das equipes que estarão no palco no dia 19 de setembro. E aqui preciso fazer uma confissão: talvez eu tenha cometido uma pequena indiscrição jornalística: já entrevistei a equipe campeã de 2026.

Calma. Antes que alguém diga que eu descobri o resultado antecipadamente, explico. Eu entrevistei os quatro representantes. Portanto, matematicamente, considerando que apenas uma equipe será campeã, eu já entrevistei o campeão. O problema é que eu ainda não sei qual deles será. E talvez seja justamente essa a graça.

O Festival deste ano coloca quatro histórias muito diferentes diante do público. A Medonhos chega com “Aurora das coisas invisíveis: entre asas e espelhos”, mergulhando em um tema delicado e cada vez mais presente em nossa sociedade: a saúde mental. Mas existe algo particularmente especial nessa escolha.

O espetáculo da Medonhos tem como inspiração fatos que aconteceram na vida de sua própria rainha representante, Indaiah Taisi Vargas. Isso muda completamente a maneira como eu observo a proposta. Não estamos diante apenas de uma história criada para o palco. Existe uma experiência real servindo como inspiração para a construção artística. E quando a arte nasce de uma experiência vivida, eu acredito que ela ganha uma responsabilidade diferente. Aquilo que poderia ser apenas encenação passa a carregar memória, sentimento e verdade.

A Medonhos transforma uma experiência pessoal em linguagem artística. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores forças do espetáculo: mostrar que aquilo que muitas vezes escondemos pode, por meio da arte, deixar de ser invisível.

A Poupança vem com “Singular”, abordando o autismo e a neurodiversidade. Eu vejo nessa escolha uma oportunidade para discutir algo que ainda precisamos aprender: compreender que diferença não é defeito. Cada pessoa percebe o mundo de uma maneira. Existem diferentes formas de sentir, ouvir, interpretar, comunicar e estabelecer relações. E a arte pode ajudar justamente a construir essa ponte entre aquilo que eu conheço e aquilo que eu ainda preciso aprender a compreender.

A Força SK apresenta “O tempo do agora”. E, sinceramente, esse tema me pegou em cheio. Eu vivo reclamando que o tempo passa rápido. Todo mundo reclama.

Acordo pensando no que preciso fazer, passo o dia resolvendo coisas e, quando percebo, já estou pensando no dia seguinte. Talvez a equipe esteja colocando diante do público uma pergunta que deveria nos incomodar um pouco: eu estou realmente vivendo o meu tempo ou apenas tentando sobreviver à agenda?

Já a Águia de Fogo chega com “Grito de Liberdad”, trazendo para o palco uma reflexão sobre a história, as feridas, a exploração e a resistência da América Latina. É um espetáculo que nos convida a olhar para trás para compreender aquilo que ainda permanece presente. E, olhando para os quatro temas, eu encontro algo que considero muito interessante.

A Medonhos olha para dentro.

A Poupança olha para o outro.

A Força SK olha para o presente.

A Águia de Fogo olha para a história.

Quatro equipes. Quatro caminhos diferentes. Quatro maneiras de provocar o público. E talvez seja por isso que o Festival seja tão importante para São Jerônimo. Porque, por algumas horas, uma cidade inteira consegue transformar questões profundas da existência humana em dança, teatro, música, figurino, cenário e emoção.

Eu entrevistei os quatro representantes. Ouvi suas histórias, conheci um pouco mais das propostas e tentei descobrir aquilo que cada equipe pretende colocar no palco.

Agora chegou a hora de assistir.

E confesso que existe uma pequena vantagem jornalística nessa história.

Se alguém me perguntar depois do Festival se eu conhecia o campeão, eu poderei responder:

Conhecia. Entrevisei. Só não sabia qual era. Afinal, eu entrevistei as quatro equipes. Então, tecnicamente, eu já entrevistei a equipe campeã de 2026. Agora só falta o palco revelar qual delas vai levar esse título.

Até lá, eu prefiro ficar com aquilo que considero mais importante: assistir às quatro histórias e deixar que cada equipe faça aquilo que sabe fazer melhor. Contar uma história. E, quem sabe, fazer com que cada um de nós saia do ginásio levando um pouco dela para casa. Porque no final das contas, o Festival não é apenas sobre quem ganha. É sobre aquilo que fica depois que as luzes se apagam.

E antes que as luzes se acendam e o palco comece a contar suas histórias, eu quero deixar aqui o meu desejo de boa sorte às quatro rainhas que terão a responsabilidade e a emoção de representar suas equipes: Indaiah Taisi Vargas, da Equi Medonhos; Sarah Schwarz, da Equi Poupança; Rafaella Mazui, da Força SK; e Laysa Mary, da Águia de Fogo.

Eu desejo que cada uma delas aproveite cada segundo, cada aplauso, cada olhar e cada emoção dessa noite. Que entrem no palco não apenas carregando uma faixa ou representando uma equipe, mas levando consigo a história, o trabalho e o carinho de todos aqueles que construíram esse espetáculo.


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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