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São Jerônimo, RS,11/09/2026

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Relatório da PF aponta mensagens, encontros e contratos envolvendo Moraes e Vorcaro

Material tornado público reúne conversas atribuídas ao ministro do STF e ao ex-controlador do Banco Master, além de registros de encontros e contratos ligados à família do magistrado

Divulgação
Relatório da PF aponta mensagens, encontros e contratos envolvendo Moraes e Vorcaro Relatório da PF aponta mensagens, encontros e contratos envolvendo Moraes e Vorcaro
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Um relatório da Polícia Federal (PF) tornado público nesta terça-feira (1º) reúne mensagens, registros de encontros e documentos que apontam para uma relação próxima entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. As informações são da CNN.

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O material integra as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades e possíveis fraudes na negociação de carteiras de crédito do Banco Master com o BRB (Banco de Brasília).

Os dados analisados pela Polícia Federal foram obtidos a partir de aparelhos celulares apreendidos durante a investigação. O telefone de Vorcaro foi recolhido em novembro de 2025 e, posteriormente, outros dispositivos atribuídos ao ex-banqueiro também foram apreendidos.

Durante a perícia, os investigadores identificaram, entre os contatos armazenados, um número salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Segundo a PF, o telefone teria sido compartilhado com Vorcaro pelo ex-ministro Fábio Faria, em dezembro de 2023, e posteriormente registrado pelo banqueiro.

“Gratidão da minha vida”

Entre os diálogos incluídos no relatório está uma mensagem enviada em 14 de novembro de 2025, poucos dias antes da prisão de Vorcaro.

Na conversa, o ex-banqueiro escreveu ao contato atribuído a Alexandre de Moraes que os dois estariam “juntos sempre” e manifestou o que chamou de “gratidão” pelo ministro.

Segundo o conteúdo analisado pela PF, Vorcaro afirmou ainda que familiares, funcionários, parceiros e amigos teriam uma “dívida de vida” com Moraes e sua família.

O relatório também reúne conversas nas quais Vorcaro aparentemente buscava informações sobre a possibilidade de se tornar alvo de uma operação policial.

Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou ao contato atribuído ao ministro se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte. Na mesma troca de mensagens, questionou se determinado juiz estaria envolvido no caso, se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha conhecimento da situação e se ainda seria possível adotar alguma providência.

No dia seguinte, Vorcaro teria voltado a perguntar se havia possibilidade de a operação ocorrer na manhã seguinte.

Daniel Vorcaro acabou preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

PF identificou indícios de encontros

A investigação também aponta indícios de pelo menos seis encontros entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro entre novembro de 2024 e agosto de 2025.

Em março de 2025, conforme os registros analisados pelos investigadores, um funcionário do ex-banqueiro teria informado que o “Min Alexandre” havia chegado. Na mesma noite, Vorcaro teria comunicado a uma interlocutora que estava acompanhado do ministro.

Contratos envolvendo escritório da esposa de Moraes

Outro ponto destacado no relatório diz respeito a contratos firmados com o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.

Além de um acordo com o Banco Master, a Polícia Federal localizou um segundo contrato que poderia alcançar R$ 50 milhões. O documento teria sido firmado com uma empresa representada por Vorcaro.

Segundo a perícia, o contrato foi analisado por Alexandre de Moraes antes da assinatura. Os documentos também previam a possibilidade de parte dos honorários ser quitada por meio de participações em empresas relacionadas a uma aeronave Legacy 650 e a um helicóptero Airbus.

A CNN Brasil informou ter procurado a assessoria do Supremo Tribunal Federal para se manifestar sobre as referências ao ministro Alexandre de Moraes no relatório da Polícia Federal. Até a publicação da reportagem original, não havia resposta.

Sigilo dos autos foi retirado

Também nesta terça-feira, o ministro André Mendonça decidiu retirar o sigilo dos autos relacionados ao caso.

De acordo com Mendonça, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), os novos elementos deverão ser submetidos à análise do plenário do Supremo Tribunal Federal.

O ministro afirmou que a apreciação do material pelo colegiado seria o “caminho inevitável”, com discussão em sessão pública e presencial do STF.


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