Desemprego recua para 5,3% e atinge menor taxa para julho desde o início da série histórica
Indicador do IBGE caiu em relação ao trimestre encerrado em abril e confirma cenário de mercado de trabalho ainda aquecido no Brasil
Indicador do IBGE caiu em relação ao trimestre encerrado em abril e confirma cenário de mercado de trabalho ainda aquecido no Brasil A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27). O resultado representa uma redução em relação aos 5,8% registrados no trimestre encerrado em abril.
O índice é o menor já registrado para um trimestre terminado em julho desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012.
O resultado também ficou exatamente em linha com a expectativa do mercado financeiro. A mediana das projeções de economistas consultados pela Bloomberg apontava uma taxa de desemprego de 5,3%.
A pesquisa do IBGE considera tanto trabalhadores do mercado formal, como aqueles com carteira assinada ou registro como pessoa jurídica, quanto pessoas ocupadas na informalidade.
Mercado de trabalho segue aquecido
A taxa de desocupação já havia recuado para 5,4% no trimestre encerrado em junho. No entanto, o IBGE recomenda cautela na comparação entre períodos consecutivos que possuem meses em comum, como os trimestres terminados em junho e julho.
O resultado de julho reforça a percepção de que o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando resistência, mesmo diante do cenário de juros elevados adotado para conter a inflação.
Entre os fatores apontados por analistas para explicar o baixo desemprego estão o crescimento da atividade econômica nos últimos anos e medidas de estímulo à economia. Por outro lado, a política monetária restritiva tende a atuar no sentido contrário, desacelerando o consumo e os investimentos.
Envelhecimento da população também influencia indicador
Outro fator que vem sendo considerado nas análises sobre o mercado de trabalho é a mudança demográfica brasileira.
Com o envelhecimento da população, aumenta a parcela de pessoas que deixa de participar do mercado de trabalho e, consequentemente, de procurar emprego. Como a taxa de desemprego considera como desocupada a pessoa que não trabalha e está procurando uma vaga, a saída de parte da população da força de trabalho pode contribuir para manter o indicador em níveis mais baixos.
Esse processo, porém, também representa um desafio para o sistema previdenciário, diante do aumento da demanda por aposentadorias.
Informalidade e novas formas de trabalho
A Pnad Contínua também acompanha trabalhadores que atuam sem carteira assinada ou sem registro formal. Nesse cenário, atividades ligadas à tecnologia e aos aplicativos continuam tendo participação relevante no mercado de trabalho.
Estudos citados por especialistas apontam que o trabalho por meio de aplicativos passou a representar uma parcela importante das ocupações e contribui para reduzir a taxa de desemprego, embora também levante discussões sobre renda, jornada e condições de trabalho.
Mesmo com sinais de desaceleração da economia diante dos juros altos, os dados mais recentes mostram que o mercado de trabalho permanece em um momento favorável, com a taxa de desemprego em um dos menores patamares da série histórica.






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