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São Jerônimo, RS,10/06/2026

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Por que reduzir o colesterol LDL é decisivo para proteger o coração

Estudo reforça que a queda do chamado ‘colesterol ruim’ diminui o risco de infarto e AVC em pessoas de maior risco cardiovascular

Agência Einstein / Reprodução
Por que reduzir o colesterol LDL é decisivo para proteger o coração Estudo reforça que a queda do chamado ‘colesterol ruim’ diminui o risco de infarto e AVC em pessoas de maior risco cardiovascular
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Regina Célia Pereira
Agência Einstein

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Apesar do consenso científico sobre a relação entre colesterol elevado e maior risco de doenças cardiovasculares, cresce nas redes sociais um movimento que minimiza os impactos do LDL, conhecido como “colesterol ruim". Essa corrente questiona o papel da substância na aterosclerose, processo caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias que compromete a circulação sanguínea e aumenta o risco de eventos graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). 

As evidências, porém, seguem apontando o contrário. Uma pesquisa publicada em março no periódico científico JAMA reforça a importância de equilibrar os níveis de LDL para proteger o coração. Segundo o estudo, a diminuição do colesterol esteve associada à redução de eventos cardiovasculares em pacientes considerados de alto risco, mas que não haviam sofrido um evento cardiovascular.  

Os resultados foram obtidos a partir da análise de dados de 3.655 pessoas com diabetes, participantes do VESALIUS-CV, levantamento internacional que reuniu mais de 12 mil voluntários acompanhados por quase cinco anos. A pesquisa envolve cientistas de 33 países, incluindo o Brasil, e avalia a eficácia do evolocumabe, medicamento da classe dos inibidores de PCSK9. 

Esses remédios atuam sobre uma proteína relacionada à captação do LDL pelo fígado, favorecendo a retirada do excesso de colesterol da circulação sanguínea. Entre os participantes que receberam o medicamento, a média de LDL alcançada foi de 44 mg/dL, nível que equivale a quase um terço do usual na população. “Os achados reforçam o papel da adoção precoce de estratégias preventivas”, comenta o cardiologista Raul Santos, pesquisador do Einstein Hospital Israelita e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). 

O trabalho mostrou que combinar o evolocumabe com as estatinas tem efeitos superiores ao uso isolado de estatinas na redução do risco cardiovascular. “Os benefícios ocorreram de forma totalmente segura, apesar dos valores muito baixos de LDL durante o tratamento”, aponta Santos.

Ainda que o colesterol tenha má fama, vale lembrar que o problema está no excesso. Em doses adequadas, trata-se de um componente essencial ao organismo. Inclusive, nosso corpo consegue produzi-lo para suprir as demandas. Entre algumas de suas funções, está a participação na estrutura das membranas celulares, permitindo a entrada e a saída de substâncias vitais, como os nutrientes. “Também é fundamental para a síntese de certos hormônios e da vitamina D”, exemplifica o cardiologista.

Para circular pelos vasos sanguíneos, o colesterol precisa pegar carona em partículas transportadoras: a LDL e a HDL. A primeira, chamada de lipoproteína de baixa densidade, ficou conhecida como colesterol ruim. Isso porque, quando ela não dá conta de carregar todo o montante, pode derrubar parte pelo caminho, favorecendo a formação de placas. Já a HDL, ou lipoproteína de alta densidade, carrega o que ficou para trás, deixando as artérias limpas e evitando acúmulos danosos.

Fatores de risco

Para indivíduos de alto risco, quanto menores forem as taxas de LDL, melhor. Além dos diabéticos, quem tem histórico familiar de problemas cardíacos antes dos 60 anos de idade, fuma ou apresenta a síndrome metabólica — caracterizada por taxas elevadas de glicose, alterações nos triglicérides e colesterol, hipertensão arterial e acúmulo de gordura na região abdominal — requer mais atenção. 

Outro marcador importante é a lipoproteína (a), já que suas taxas elevadas indicam inflamação e predisposição genética para a formação de placas de gordura. Tais fatores podem prejudicar o endotélio, tecido que recobre os vasos. “Esses vasos acabam mais suscetíveis ao acúmulo de partículas gordurosas e aos processos inflamatórios”, explica o médico do Einstein.  

Manter um peso saudável e controlar adequadamente esses parâmetros é fundamental para a saúde cardiovascular. Nesse contexto, a prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada devem fazer parte da rotina.

Novas diretrizes

A Associação Americana do Coração (AHA), dos Estados Unidos, atualizou, no final de março, suas diretrizes para a nutrição cardioprotetora. “Assim como a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, de 2025, ela reforça uma abordagem integrada, associando alimentação, estilo de vida e tratamento medicamentoso”, detalha a nutricionista Valéria Machado, colaboradora em pesquisas no setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para ela, as normas chegam para consolidar uma mudança conceitual. “O foco deixa de ser o nutriente isolado e passa a ser o padrão alimentar todo”, afirma Machado. Entre as recomendações está a de ajustar a ingestão e o gasto energético para atingir e manter um peso corporal saudável, ou seja, vale adaptar o total de calorias ao perfil e às atividades realizadas no cotidiano.

Outra sugestão é rechear o cardápio com mais frutas e hortaliças. Priorizar grãos integrais e seus derivados é mais uma prática válida. “A diretriz reforça que o LDL-colesterol permanece como alvo central na prevenção cardiovascular”, aponta a nutricionista. Nesse sentido, as principais atitudes incluem reduzir o consumo de gorduras saturadas, presentes em carnes, laticínios, no coco, entre outros alimentos. Não é preciso excluir esses itens, mas escolher versões desnatadas e maneirar na quantidade e frequência.

No caso das carnes, os cortes de patinho, coxão-mole, filé-mignon e lombo suíno são opções interessantes. “Recomenda-se a retirada da gordura aparente e dar preferência por preparações grelhadas, assadas ou cozidas”, ensina Valéria Machado. Por fim, não custa reforçar que é primordial considerar o contexto social, cultural e econômico para que o padrão seja sustentável em longo prazo.


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