João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Sentado no banco
Tomando café, pensando na vida, aguardando
Agora estou aqui, sentado num banco no banco, aguardando atendimento João Adolfo Guerreiro
Esperando atendimento no banco, aguardando na fila, sentado num banco. Tomando café de cortesia. No ar condicionado. Cliente. Quase filho.
Sim, pois o banco é quase como um pai cheio da grana. Quase, pois dá dinheiro, mas cobra. Com juros. Contudo, o resultado é praticamente o mesmo: tu sai feliz do encontro. Nunca pedi dinheiro pro meu pai, mas pro banco, sim. Dá pra pensar sobre isso e escrever enquanto se espera. Ou falar com conhecidos.
Encontramos muitos conhecidos no banco, dependendo do dia que viemos aqui. Alguns praticamente só vemos no banco. Só ficamos sabendo do falecimentos deles aqui. "E o fulano, que não veio?" "Morreu." No tempo do Gringo Caloteiro, que não pagava em dia, isso era direto. Agora, com o Pelotense, isso acabou e já não se encontra tanta gente assim, mas cruzamos de vez em quando com um lá que outro.
Ah, o André voltou pra agência. Encontrei-o na entrada. Legal. Conhecemos os funcionários, batemos papo, trocamos uma ideia. Eu gosto de vir no banco, acho tri legal esperar sentado no banco pensando na vida, escrevendo, tomando café cortesia sob o ar condicionado. Lembrei de um ótimo cronista do Recife que escreve pro Recanto das Letras, o Dartagnan Ferraz, ele foi bancário. Um grande amigo da faculdade de Sociologia também foi bancário e do sindicato, o Zé Roberto. Ia nuns eventos do sindicato com ele nos 1990. Ótimos tempos.
Agora estou aqui, sentado num banco no banco, aguardando atendimento. Outros tempos. Bons tempos também, não posso reclamar, só agradecer. Tive sorte e juízo na vida. Se tivesse sido sábio, então? Bah! Mas já tá bom assim.
Chamaram, é minha vez. Fui. Depois vou comer uma sopa no pão tomando um vinho. Viva o inverno. A D O R O.




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