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São Jerônimo, RS,02/06/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | 30 anos sem o Profeta Gentileza

Amor, palavra que liberta

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | 30 anos sem o Profeta Gentileza

João Adolfo Guerreiro

No último 29 de maio fez 30 anos do falecimento de José Datrino, o conhecido Profeta Gentileza, da famosa frase da imagem acima e da canção da Marisa Monte, Gentileza.

Pego-me pensando, de vez em quando: O que nos diria hoje o Profeta Gentileza sobre esse mundo de ódio virtual social pelo qual passamos? Pelo comportamento "capetalista" de governos e sociedades ante o que foi, por exemplo, o drama da pandemia do coronavirus? O que nos ensinaria? "Amor, palavra que liberta, já dizia o profeta", como cantou Marisa Monte (1).

O Brasil possui tradição em líderes religiosos populares, a quem chamam de "beatos", como o padre Cícero e Antônio Conselheiro, por exemplo. Todavia, há também o Profeta Gentileza, sendo sua mensagem ainda eficaz, benfazeja e edificante para as pessoas de nosso tempo.

O que é um profeta? No termo original em hebraico é um porta-voz de Deus, ou seja, alguém que traz a mensagem do Senhor para o mundo. A profecia, portanto, não é apenas uma predição do futuro, é também a palavra de Deus que vem ao mundo pelo intermediário terreno, o profeta. Datrino, nesse sentido de mensageiro divino, foi um profeta, o Profeta Gentileza. E como se deu isso?

Datrino nasceu no interior de São Paulo (Cafelândia, 11.04.1917) e desde seus 12 anos acreditava ter vindo à Terra com uma missão. Aos 20 migrou para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceu e prosperou no ramo do transporte de carga fretado, possuindo caminhões. Em 17 de dezembro 1961 ocorreu uma tragédia na cidade de Niterói: o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, deixando mais de 400 mortos e 800 feridos, muitas crianças entre elas. Seis dias após o ocorrido, José ouviu "vozes astrais" que o mandaram largar tudo e se dedicar ao mundo espiritual. E assim fez, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, deixando seu patrimônio para a família - esposa e cinco filhos.

Com um dos seus caminhões foi à cidade, comprou duas pipas de cem litros de vinho e o distribuiu à população. Bastava a pessoa pedir "por gentileza" e, depois, dizer "agradecido", como pagamento. Nesse mesmo dia a PM o levou para o Batalhão a fim de dar explicações - a primeira de suas desventuras com as autoridades. Como o quartel era perto do local do incêndio, por lá ficou, por quatro anos, cultivando uma horta, cavando um poço e plantando flores - era o jardineiro de Deus e, as pessoas, as flores -, visando consolar os sofredores, principalmente familiares das vítimas. Nesse período, ficou conhecido como o José Agradecido. Isso se deveu por Datrino insistir no "por gentileza" e no "agradecido", que em sua mensagem profética se opunham frontalmente ao "por favor" e ao "obrigado" (essa distinção, chave em Datrino, é assunto para outro texto específico), típicos do "capetalismo" por ele criticado como contrário à vontade de Deus.

Após esses quatro anos passou a andar pelas ruas de Niterói e do Rio de Janeiro, pelo restante dos anos 1960, em sua primeira fase profética, onde começa a ser reconhecido como o Profeta Gentileza. Na segunda fase, nos anos 1970 e 80, realizou viagem missionária por todo o Brasil, com exceção da Região Sul. Em sua terceira e última fase volta a se fixar no Rio, onde realiza o seu famoso Livro Aberto, isto é, escreve nas pilastras do viaduto do Caju os 55 textos com a síntese de sua mensagem. Depois de muita polêmica e idas e vindas, hoje elas são tombadas como patrimônio cultural da cidade (Decreto nº 18188 de 27.11.2000). Após 35 anos cumprindo diariamente sua missão profética, faleceu em 29 de maio de 1996, aos 79 anos.

O que, do legado desse profeta popular brasileiro, permanece, 30 anos depois de sua morte? "Gentileza Gera Gentileza". Ela sintetiza a profecia de amor e partilha entre os homens, um modo de ser e se reinventar na vida, não violento e generoso, seguindo a Palavra que Jesus nos deixou em sua passagem por esse plano físico. Em momentos de grave crise sanitária, política ou social, em que o valor da vida humana é relativizado e secundarizado, a mensagem do Profeta Gentileza é um norte vivo, mais atual do que nunca, a nos lembrar do real significado do que o Nazareno nos disse, convocando-nos à verdadeira prática do amor e da tolerância.




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