Lula: Brasil não aceitará tratamento dado pelo governo dos EUA
Presidente afirmou que enviará carta a Donald Trump, defendeu o diálogo entre os países e criticou declarações de autoridades norte-americanas
Presidente afirmou que enviará carta a Donald Trump, defendeu o diálogo entre os países e criticou declarações de autoridades norte-americanas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (3) que o Brasil não pode aceitar o tratamento recebido dos Estados Unidos após o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto.
Segundo Lula, o governo brasileiro tem mantido diálogo com os Estados Unidos e buscado alternativas para evitar o agravamento das medidas comerciais. O presidente destacou que pretende enviar uma carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, para tratar do assunto.
— Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana — afirmou.
A manifestação ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir investigações comerciais envolvendo o Brasil. Além da proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, o órgão norte-americano também anunciou uma nova sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre suposto uso de trabalho forçado em cadeias produtivas de diversos países.
Lula disse que o governo brasileiro nunca se recusou a negociar com os Estados Unidos e afirmou ter sido surpreendido pelas novas medidas enquanto as conversas entre os dois países ainda estavam em andamento.
Durante o discurso, o presidente também criticou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após declarações recentes sobre o Brasil. Lula afirmou que o integrante do governo americano não demonstra simpatia pela América Latina.
O presidente ainda voltou a associar a atuação de integrantes da família Bolsonaro às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, interesses eleitorais não podem se sobrepor aos interesses nacionais.
Lula também mencionou o histórico das relações entre os dois países e defendeu o fortalecimento dos laços institucionais.
— Não queremos guerra. Queremos construir uma relação baseada no respeito e fortalecer nossa parceria institucional com os Estados Unidos — declarou.
As novas tarifas propostas pelo governo americano ainda passarão por etapas de consulta pública antes de uma decisão definitiva. A previsão é que o processo seja concluído em julho.





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