Acordo Mercosul–UE projeta ganhos para a indústria gaúcha e acelera planos do agronegócio
Fiergs estima aumento das exportações, geração de empregos e impacto positivo no PIB do RS, enquanto empresas do agro já investem para ampliar presença no mercado europeu
A assinatura do acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, no sábado (17), no Paraguai, é avaliada como um marco para a economia brasileira A assinatura do acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, no sábado (17), no Paraguai, é avaliada como um marco para a economia brasileira e, em especial, para o Rio Grande do Sul. Para o Sistema Fiergs, o tratado representa uma oportunidade estratégica de ampliação de mercados, aumento das exportações industriais e atração de investimentos, em um contexto de necessidade de diversificação comercial. Ao mesmo tempo, empresas do agronegócio nacional já começaram a revisar planos e investir para aproveitar a abertura gradual do mercado europeu.
Segundo o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o acordo é benéfico para o Estado ao estimular o crescimento econômico por meio do comércio exterior e da integração às cadeias globais de valor. Estimativas da Unidade de Estudos Econômicos da entidade apontam que, ao longo dos próximos 15 anos, as exportações industriais gaúchas para a União Europeia podem crescer cerca de US$ 801,3 milhões. Entre os segmentos mais beneficiados estão tabaco, produtos químicos, couro e calçados, alimentos, além de celulose e papel.
Esse avanço nas vendas externas tende a gerar impactos diretos no mercado de trabalho, com a criação estimada de 31 mil empregos formais na Indústria de Transformação do Rio Grande do Sul. No cenário macroeconômico, o efeito agregado pode resultar em um acréscimo de aproximadamente 4,6% no PIB estadual, o equivalente a R$ 31 bilhões no horizonte de 15 anos.
Bier ressalta que a assinatura do acordo não implica aplicação imediata, já que o texto ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos. Apesar de possíveis resistências, especialmente em nações como a França, o presidente da Fiergs afirma confiar na ratificação do tratado e na possibilidade de o Brasil aproveitar os benefícios previstos. Ele também destaca a importância de mecanismos de defesa e de um cronograma gradual de redução tarifária para proteger setores industriais mais sensíveis.
No campo do agronegócio, o acordo é visto como ainda mais promissor. Estudos indicam que o setor pode ampliar suas exportações em até US$ 6,2 bilhões ao longo de 15 anos, impulsionado principalmente por carnes, óleos vegetais, frutas e produtos de maior valor agregado. Em 2025, a União Europeia já foi o segundo principal destino das exportações do agro brasileiro, com compras de cerca de US$ 25 bilhões.
Empresas do setor já se antecipam. Produtoras de carnes, ovos e frutas investem em adequações sanitárias, ampliação de capacidade produtiva e melhorias logísticas para atender às exigências europeias. O movimento reflete a expectativa de acesso ampliado ao mercado da UE, que reúne cerca de 700 milhões de consumidores, em um cenário global marcado por disputas comerciais e maior protecionismo.
Para a Fiergs, além do crescimento econômico, o acordo traz benefícios como redução de custos de importação de tecnologia, aumento dos investimentos estrangeiros, maior segurança jurídica e fortalecimento institucional do Mercosul. A entidade avalia que, apesar das sensibilidades setoriais, o tratado cria um ambiente de transição que permite ajustes produtivos e ganhos de competitividade de longo prazo, tanto para a indústria quanto para o agronegócio do Rio Grande do Sul e do Brasil.






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