Datafolha aponta recorde de desconfiança no STF e no Judiciário
Pesquisa mostra aumento da rejeição às instituições e queda na avaliação do trabalho dos ministros
Pesquisa mostra aumento da rejeição às instituições e queda na avaliação do trabalho dos ministros A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal e no Poder Judiciário atingiu os níveis mais baixos desde o início das medições. É o que indica pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta semana, que aponta crescimento da desconfiança da população em relação às instituições.
De acordo com o levantamento, 43% dos brasileiros afirmam não confiar no STF, o maior índice registrado desde o início da série histórica, em 2012. Na pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2024, esse percentual era de 38%. No mesmo período, a parcela dos que dizem confiar muito na corte caiu de 24% para 16%.
O cenário de desgaste também aparece na avaliação do desempenho dos ministros. Apenas 23% dos entrevistados classificam o trabalho do tribunal como ótimo ou bom, índice inferior aos 32% registrados no levantamento anterior. Já a avaliação negativa, considerada ruim ou péssima, subiu de 35% para 39%.
A percepção negativa também se estende ao conjunto do sistema de Justiça. Segundo o estudo, 36% dos brasileiros dizem não confiar no Judiciário, aumento em relação aos 28% registrados anteriormente. Esse é o maior nível de desconfiança desde 2017, quando começou a série de pesquisas sobre o tema.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Entre os fatores apontados para o desgaste institucional estão decisões judiciais controversas, questionamentos éticos envolvendo ministros e críticas à existência de benefícios salariais extras, conhecidos como “penduricalhos”, pagos a magistrados.
Um dos episódios que contribuíram para o debate recente envolve o chamado caso do Banco Master, que levantou suspeitas sobre relações entre integrantes da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio atingiu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ampliando o debate público sobre ética e transparência no tribunal.
O levantamento também indica que a maioria da população defende regras mais rígidas para a atuação dos ministros do STF. Entre os entrevistados, 79% afirmaram que magistrados não deveriam julgar processos que envolvam clientes de familiares, enquanto 78% são contrários à participação de ministros como sócios em empresas privadas.
Além disso, 76% disseram ser contra o recebimento de pagamentos por palestras promovidas por instituições privadas, prática que também tem sido alvo de críticas.
Outro ponto de desgaste citado é a manutenção de benefícios que permitem a integrantes do Judiciário ultrapassar o teto constitucional de remuneração. Em alguns casos, magistrados recebem valores líquidos superiores a R$ 100 mil mensais.
Diante desse cenário, o Conselho Nacional de Justiça tem intensificado a fiscalização sobre folhas de pagamento para tentar limitar benefícios criados sem base legal. No STF, no entanto, a discussão sobre a criação de um código de ética e sobre limites mais rígidos de remuneração ainda enfrenta resistências internas.






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