Petrobras projeta investimentos bilionários no Rio Grande do Sul nos próximos anos
Aportes envolvem refino, indústria naval, energia eólica e exploração de petróleo, com destaque para a Refap e projetos estratégicos no Estado
Entre os projetos de destaque na Refap está a eletrificação de processos industriais, com a substituição de turbinas a vapor por motores elétricos O Rio Grande do Sul está no centro do planejamento estratégico da Petrobras para os próximos anos, com previsão de investimentos bilionários em diferentes áreas de atuação da companhia. Os aportes abrangem setores como refino, indústria naval, geração de energia eólica offshore e exploração de petróleo, reforçando a relevância do Estado na estratégia nacional da estatal.
Um dos principais focos está no setor de refino. Para o biênio 2026-2027, a Petrobras prevê investimentos de aproximadamente R$ 680 milhões na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada em Canoas. Os recursos serão direcionados a iniciativas voltadas à segurança das unidades operacionais, modernização de equipamentos críticos, eliminação de obsolescências, melhorias de infraestrutura, aumento de eficiência e rentabilidade, além da manutenção de tanques e paradas de menor porte.
Entre os projetos de destaque na Refap está a eletrificação de processos industriais, com a substituição de turbinas a vapor por motores elétricos, aproveitando a matriz energética limpa do Brasil. A expectativa é que a operação esteja concluída até 2030, com redução estimada de cerca de 220 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Em 2025, a refinaria já havia recebido investimentos da ordem de R$ 685 milhões, destinados principalmente a paradas de manutenção, além da modernização do parque de tancagem, o que ampliou a capacidade de armazenamento de petróleo e derivados.
No horizonte de médio prazo, o Plano Estratégico da Petrobras 2026-2030 prevê, para a Refap, cerca de R$ 2 bilhões em projetos recorrentes — como pequenas intervenções, tancagem e paradas — e entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões em projetos estruturantes de grande porte. Entre eles está o novo sistema de hidrotratamento de diesel para produção de Diesel S10, ainda em fase de avaliação.
Outro projeto estratégico no Estado é a transformação da Refinaria Riograndense, em Rio Grande, na primeira biorrefinaria do Brasil. Iniciada em novembro de 2023, a iniciativa é desenvolvida em parceria entre Petrobras, Braskem e Ultra, com apoio técnico da refinaria e de consultorias externas. O foco é a produção de combustíveis renováveis, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o diesel verde, a partir de matérias-primas como óleo de soja, óleo técnico de milho, óleo de cozinha usado e sebo bovino.
O investimento total estimado para a biorrefinaria é de cerca de US$ 1 bilhão. A decisão final de investimento está prevista para o primeiro trimestre de 2026, com início das obras condicionado à definição da estrutura financeira. A entrada em operação da planta é projetada para 2028.
Indústria naval e energia eólica offshore
As demandas da Transpetro, subsidiária da Petrobras, também têm impulsionado a retomada do polo naval gaúcho. No fim de 2024, a empresa contratou um consórcio formado pelo estaleiro McLaren, do Rio de Janeiro, e o Estaleiro Rio Grande, da Ecovix, para a construção de quatro navios da classe Handy, com investimento total de R$ 1,4 bilhão e potencial de geração de cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos em Rio Grande.
Mais recentemente, o Estaleiro Rio Grande venceu outra concorrência para a construção de cinco navios gaseiros da Transpetro, com proposta aproximada de US$ 270 milhões.
No campo da energia eólica offshore, a Petrobras instalou a Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore (Bravo) no litoral gaúcho. O equipamento integra um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em parceria com institutos do Senai e é responsável por medir variáveis meteorológicas e oceanográficas essenciais para avaliar o potencial eólico no mar.
Além da boia Bravo, um sistema LiDAR foi instalado na monoboia de Tramandaí e entrou em operação em dezembro de 2025. Os dados coletados pelos equipamentos serão monitorados ao longo de três anos e servirão de base para estimar o potencial de geração de energia eólica offshore na região.
Exploração de petróleo
Na área de exploração, a Petrobras atua atualmente como operadora de 32 blocos exploratórios de petróleo na costa do Rio Grande do Sul, em parceria com outras empresas. As áreas estão localizadas a cerca de 200 quilômetros do litoral e somam aproximadamente 20,5 mil quilômetros quadrados.
A estatal está em fase inicial de estudos na Bacia de Pelotas, que abrange todo o litoral gaúcho, com foco na aquisição de dados sísmicos. Essa etapa é considerada fundamental para a avaliação do potencial exploratório de petróleo e gás na região.
Com informações do Jornal do Comércio.






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