Lideranças do PP anunciam boicote a reunião e expõem racha interno no partido
Carta assinada por aliados de Ernani Polo critica decisão de Covatti Filho; presidente mantém encontro marcado para 20 de janeiro
Carta de grupo do PP evidencia divisão entre aliados de Ernani Polo (à esquerda) e Covatti Filho (à direita) no Progressistas A crise interna no Progressistas do Rio Grande do Sul ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (14/01) com a divulgação de uma carta pública assinada por 21 lideranças do partido que anunciam boicote à reunião do Diretório Estadual marcada para o dia 20 de janeiro. O encontro foi convocado pelo presidente estadual da sigla, deputado federal Covatti Filho, com o objetivo de discutir o posicionamento do PP na disputa pelo governo do Estado em 2026.
O documento explicita a divisão interna entre aliados de Covatti Filho e do deputado estadual Ernani Polo, ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, que deixou o cargo na segunda-feira (12) para se dedicar à pré-candidatura ao Palácio Piratini. Polo está entre os signatários da carta, ao lado de nomes históricos e de peso dentro do Progressistas, como o senador Luis Carlos Heinze, o ex-governador Jair Soares, o deputado federal Afonso Hamm e o presidente de honra do PP-RS, Celso Bernardi.
As lideranças consideram a convocação da reunião precipitada e afirmam não reconhecer legitimidade no encontro, uma vez que, segundo o grupo, não houve deliberação prévia da Comissão Eleitoral do partido, criada justamente para tratar do processo eleitoral de 2026. Diante disso, os signatários informam que não participarão da reunião, como forma de evitar o aprofundamento de conflitos internos.
Na carta, o grupo também reforça que, até o momento, a decisão conjunta do partido é trabalhar pela apresentação de uma candidatura própria ao governo do Estado e defende que esse processo seja conduzido de forma coletiva, com mais debates e escuta das bases, especialmente no Interior.
Mesmo com o anúncio de boicote por parte de uma ala significativa do partido, Covatti Filho afirmou ao Jornal do Comércio que a reunião está mantida.
— O diretório é soberano para deliberar, e suas decisões estão acima, inclusive, das decisões da presidência. Agora, cabe aguardar e respeitar o que o diretório decidir no dia 20 — justificou.
O presidente estadual do PP também sustentou que a convocação segue o regimento interno da sigla.
— Todos tinham conhecimento; não se trata de uma decisão precipitada. A reunião estava prevista para dezembro e, a pedido de lideranças, foi adiada para janeiro — afirmou.
Em contraponto, os signatários da carta defendem a construção de um calendário de encontros regionais, com participação ampliada de prefeitos, vereadores, dirigentes municipais e delegados partidários, antes de qualquer deliberação formal sobre a candidatura ao governo do Estado.
Confira a carta na íntegra:
“Carta pelo diálogo e unidade dos progressistas
O Progressistas do Rio Grande do Sul é um partido grande, com atuação histórica e papel relevante na vida política do nosso Estado. Sua trajetória sempre foi marcada pelo diálogo, pelo entendimento, pela pluralidade de ideias e, sobretudo, pela unidade. Mesmo diante de divergências legítimas, o Progressistas sempre buscou preservar a coesão interna, construindo decisões de forma coletiva e respeitando a vontade da maioria como fundamento de sua força política.
É com esse espírito que respeitosamente conclamamos pela unidade do Progressistas do Rio Grande do Sul, uma característica que sempre marcou nossa história vitoriosa. Para isso, todos os processos internos sobre as eleições de 2026 devem ser conduzidos coletivamente, com espaço para encontros, debates e amadurecimento das posições – sempre respeitando a decisão da maioria.
Por esse motivo, entendemos como gravemente inadequada a decisão do presidente estadual do partido, tomada unilateralmente, de convocar e manter uma reunião deliberativa do Diretório Estadual para o dia 20 de janeiro. Não houve sequer deliberação da Comissão Eleitoral, criada para tratar das eleições de 2026.
A decisão conjunta tomada até aqui é apresentar candidatura própria do PP a governador – e essa deve continuar sendo nossa prioridade.
Diante disso, as lideranças do partido, signatárias desta carta, informam que não veem legitimidade e, portanto, não participarão da reunião convocada. E fazemos isso para manter a unidade partidária e evitar atritos internos intransponíveis.
Defendemos a realização de um calendário de eventos e debates pelo interior, para ouvir toda a base sobre a candidatura própria a governador e o plano de governo, com tempo adequado e um colegiado ainda mais amplo. Uma decisão tão importante deve incluir, além dos membros do diretório estadual, presidentes municipais, delegados à Convenção Estadual, prefeitos, prefeitas, vices, vereadores, vereadoras – com mais escuta e participação.
Pela unidade do Progressistas e por uma posição vitoriosa para 2026!
Assinam:
Jair Soares, ex-governador;
Celso Bernardi, presidente de honra do PP-RS;
Luis Carlos Heinze, senador;
Afonso Hamm, deputado federal e 1° vice-presidente do PP-RS;
Pedro Westphalen, deputado federal e 2° vice-presidente do PP-RS;
Marcus Vinícius de Almeida, deputado estadual e ex-presidente da AL-RS;
Frederico Antunes, deputado estadual e ex-presidente da AL-RS;
Ernani Polo, deputado estadual, ex-presidente da AL-RS e secretário-geral do PP-RS;
Adolfo Brito, deputado estadual e ex-presidente da AL-RS;
Issur Koch, deputado estadual;
Jerônimo Goergen, ex-presidente do PP-RS;
Pedro Bertolucci, ex-presidente do PP-RS;
Ireneu Orth, suplente de senador;
Otomar Vivian, ex-presidente da AL-RS;
Fetter Júnior, ex-deputado federal;
Helton Barreto, presidente da Associação dos Prefeitos do PP-RS;
Silomar Garcia, presidente da Associação dos Vereadores do PP-RS;
Marcos Peixoto Filho, suplente de deputado federal;
Salmo Dias de Oliveira, suplente de deputado estadual;
Júlio Ruivo, suplente de deputado estadual;
Luís Fernando Cavalheiro Pires, suplente de deputado estadual.”






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