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São Jerônimo, RS,13/03/2026

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2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta relatório climático

Média dos últimos três anos ultrapassa, pela primeira vez, o limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris

Alex Rocha / PMPA / Divulgação
2025 foi o terceiro ano mais quente da história, aponta relatório climático Média dos últimos três anos ultrapassa, pela primeira vez, o limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris
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O ano de 2025 entrou para a história como o terceiro mais quente já registrado no planeta. Os dados constam no relatório anual do Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, divulgado nesta quarta-feira (14/01). O levantamento também confirma um marco inédito: a média de temperatura global do último triênio superou o limite de aquecimento de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, referência central do Acordo de Paris.

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Segundo o Copernicus, os últimos 11 anos foram, consecutivamente, os 11 mais quentes desde o início das medições sistemáticas. Os gráficos do relatório de 2025 evidenciam a intensificação do aquecimento a partir de 2023, com predominância de tons associados a temperaturas acima da média histórica em praticamente todo o globo.

Nesse período, todos os recordes mensais de calor foram quebrados. Setembro de 2023 permanece como o mês com maior anomalia já registrada, enquanto janeiro de 2025 foi o janeiro mais quente desde o início da série histórica, iniciada na década de 1940. Ao longo de 2025, apenas fevereiro e dezembro não superaram os recordes absolutos de seus respectivos meses.

A temperatura média global em 2025 ficou em 14,97 °C, valor 0,59 °C acima da média de referência de 1991 a 2020 e apenas 0,13 °C inferior à registrada em 2024, que segue como o ano mais quente da história. Em relação ao período pré-industrial (1850–1900), o aquecimento médio em 2025 foi de 1,47 °C, após 1,48 °C em 2023 e 1,6 °C em 2024.

O relatório indica que, mantido o ritmo atual de emissões de gases de efeito estufa, o limite de 1,5 °C tende a ser superado de forma consistente a partir de 2029, mais de uma década antes do que se projetava quando o Acordo de Paris foi firmado, em 2015.

As causas do aquecimento persistente incluem o aumento contínuo das emissões associadas à queima de combustíveis fósseis, que atingiram novo recorde em 2025, além das temperaturas elevadas da superfície dos oceanos. Mesmo sem a influência direta do El Niño ao longo do ano, os mares permaneceram mais quentes do que em qualquer período anterior a 2023.

O comportamento térmico variou regionalmente. Nos trópicos, as temperaturas do ar e do oceano foram ligeiramente inferiores às observadas em 2023 e 2024, mas esse recuo foi compensado por aquecimento intenso em outras áreas. As regiões polares registraram valores expressivos: a Antártida teve a maior média anual já observada, enquanto o Ártico apresentou a segunda mais alta. Recordes também foram verificados em partes do Pacífico, do Atlântico Norte, da Europa e da Ásia Central.

O relatório destaca ainda a situação crítica do gelo marinho. Em fevereiro de 2025, a cobertura combinada dos dois polos atingiu o menor nível desde o início das observações por satélite, no fim da década de 1970. No Ártico, vários meses registraram extensões mínimas históricas, enquanto a Antártida apresentou um dos menores valores anuais tanto no verão quanto no inverno.

Embora o Copernicus ressalte que a média de três anos acima de 1,5 °C não configure, tecnicamente, o rompimento definitivo da meta do Acordo de Paris — definida como um objetivo de longo prazo —, o relatório alerta que o planeta caminha para um cenário de “ultrapassagem” temporária desse limite, conhecido como overshoot. Esse processo implicará riscos climáticos crescentes e exigirá, no futuro, estratégias ainda inexistentes em larga escala para a remoção de dióxido de carbono da atmosfera.

Para 2026, as projeções permanecem cercadas de incertezas. A possibilidade de um novo episódio de El Niño pode favorecer novo pico de temperaturas globais, enquanto fatores políticos e institucionais também são apontados como desafios adicionais para o monitoramento climático internacional.


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