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São Jerônimo, RS,13/03/2026

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HCPA lidera pesquisa inédita no tratamento do enfisema pulmonar

Estudo experimental utiliza dispositivo inovador que cria nova via aérea e apresenta resultados promissores em pacientes com doença respiratória grave

Angélica Coronel / Divulgação
HCPA lidera pesquisa inédita no tratamento do enfisema pulmonar Uma pequena estrutura de plástico, em formato de cone, pode representar uma nova esperança para pacientes que sofrem de enfisema pulmonar e outras doenças respiratórias graves
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O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) está à frente de um estudo pioneiro no mundo voltado ao tratamento do enfisema pulmonar grave. A pesquisa avalia a eficácia do Brônquio Artificial Implantável (BAI), um dispositivo inovador em formato de cone, desenvolvido para restaurar vias aéreas comprometidas, facilitar a liberação do ar retido nos pulmões e melhorar a respiração de pacientes com doenças respiratórias avançadas.

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Conduzido em caráter experimental, o estudo posiciona o HCPA na vanguarda da medicina respiratória. Após resultados considerados promissores em 20 pacientes na primeira fase da pesquisa, o tratamento recebeu aval de centros de referência da Europa e dos Estados Unidos, além da autorização da Food and Drug Administration (FDA) para avançar para novas etapas em território norte-americano. O hospital também tem recebido especialistas internacionais, principalmente da França e dos EUA, interessados em conhecer a técnica desenvolvida no Brasil.

O Brônquio Artificial Implantável foi desenvolvido por uma empresa norte-americana e teve seus testes pré-clínicos realizados no próprio HCPA. Os primeiros implantes em seres humanos ocorreram em 2022, inicialmente em Porto Alegre e, posteriormente, em centros de pesquisa na Alemanha, em Heidelberg, e na Holanda, em Groningen. O dispositivo é um stent autoexpansível com cerca de cinco centímetros de comprimento, produzido em polieteretercetona (PEEK), um material plástico biocompatível amplamente utilizado na área médica.

A implantação do BAI é realizada por meio de broncoscopia, procedimento minimamente invasivo no qual um tubo fino com câmera é introduzido pelas vias aéreas. O dispositivo pode ser implantado em um ou nos dois pulmões e, na maioria dos casos, o paciente recebe alta hospitalar no dia seguinte, o que representa uma vantagem em relação a cirurgias de maior complexidade.

O tratamento é indicado para casos de enfisema pulmonar grave, doença crônica e progressiva, sem cura, geralmente associada ao tabagismo. No enfisema, a destruição dos alvéolos leva à formação de grandes bolhas de ar que ficam presas nos pulmões, causando hiperinsuflação, dificuldade respiratória e perda progressiva da capacidade funcional. O BAI atua criando uma nova via de escape para o ar, permitindo o desinsuflamento pulmonar e a melhora parcial da troca gasosa.

Na primeira fase do ensaio clínico, dos 20 pacientes acompanhados, a maioria apresentou melhora clínica significativa. Em cinco casos, ocorreram eventos relacionados ao implante, com necessidade de retirada do dispositivo, sem registro de complicações graves. Os outros 15 pacientes permaneceram em acompanhamento até o final da avaliação. Após 90 dias, os exames confirmaram a segurança do dispositivo. O primeiro paciente tratado completou três anos de acompanhamento em agosto de 2025, indicando benefício sustentado ao longo do tempo. Os resultados foram publicados na revista científica internacional Respiration.

— A autorização da FDA nos permite avançar para a segunda fase do estudo, que será ampliada para 68 pacientes, envolvendo oito novos centros nos Estados Unidos, além dos centros europeus já participantes — explica o pneumologista e responsável pela pesquisa no HCPA, professor Hugo Goulart de Oliveira. — O brônquio artificial implantável pode representar uma grande esperança para milhões de pessoas que convivem com o sofrimento do enfisema avançado. É uma alternativa especialmente relevante para pacientes que não são candidatos às válvulas endobrônquicas ou à cirurgia de redução de volume pulmonar — acrescenta o pesquisador.


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