Datafolha: maioria considera justa a prisão de Bolsonaro
Pesquisa mostra que 54% apoiam decisão do STF; 40% discordam. Condenação de generais também é vista como justa pela maioria
Ex-presidente Jair Bolsonaro A nova pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (07/12) indica que a maior parte dos brasileiros considera justa a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos e três meses por participação na tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022. De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados avaliam que a prisão é correta, enquanto 40% a consideram injusta.
O instituto também perguntou onde Bolsonaro deveria cumprir a pena. Embora esteja detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 25 de novembro, apenas 13% dos entrevistados defendem que ele permaneça na PF. Para 34%, a punição deveria ser cumprida em prisão domiciliar — posição defendida por aliados do ex-presidente —, enquanto 26% preferem que ele seja enviado a um presídio comum. Outros 20% sugerem que Bolsonaro vá para uma unidade militar.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A prisão de Bolsonaro foi determinada três dias após o ministro Alexandre de Moraes ordenar sua detenção por violação da tornozeleira eletrônica. O episódio, somado ao histórico de aliados que deixaram o país durante investigações — como Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro —, pesou para que o STF decidisse mantê-lo sob custódia da PF e não em regime domiciliar.
A pesquisa também mostrou que 36% dos brasileiros afirmam estar bem informados sobre a condenação definitiva do ex-presidente, enquanto outros 37% dizem ter conhecimento parcial do caso. Para 16%, o assunto passou despercebido.
Outro ponto analisado pelo Datafolha foi a percepção sobre a condenação dos generais envolvidos na trama golpista. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados consideram justa a punição imposta a Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier, que cumprem pena em unidades militares. Para 30%, as condenações foram injustas.
Em relação à imagem do Exército, 57% afirmam que sua opinião sobre a instituição não mudou após a condenação dos militares, enquanto 26% dizem ter uma visão pior da Força e 12% afirmam ter melhorado sua percepção.
O Datafolha também revelou que a avaliação sobre a prisão de Bolsonaro segue fortemente vinculada à orientação política dos entrevistados. Entre evangélicos, moradores do Norte e Centro-Oeste e eleitores do ex-presidente em 2022, predomina a visão de que a condenação é injusta. Já grupos tradicionalmente alinhados ao presidente Lula — como nordestinos e eleitores do PT — apoiam majoritariamente a decisão do STF.
Bolsonaro, atualmente inelegível até 2060, pode pedir progressão para o regime semiaberto apenas em 2033, segundo estimativas de especialistas. Até lá, seguirá cumprindo pena em Brasília, sob vigilância constante da Polícia Federal.






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