MARCELO NORONHA | Entre origens e acolhimento: Charqueadas, a extensão da minha história
Para quem chega de fora há algo de especial nesse município que, com o tempo, deixa de ser apenas um lugar no mapa e passa a ser parte da própria história de quem o vive.
O próprio nome Charqueadas carrega a marca de um passado que ajuda a explicar sua essência Marcelo Noronha*
Minha relação com Charqueadas é, antes de tudo, uma relação de pertencimento construído. Nascido em São Jerônimo , terra-mãe da qual Charqueadas um dia fez parte, carrego comigo esse elo histórico que aproxima ainda mais as duas cidades. É como se, ao atravessar essa fronteira geográfica, eu nunca tivesse realmente saído de casa — apenas ampliado seus limites.
O próprio nome Charqueadas carrega a marca de um passado que ajuda a explicar sua essência. A palavra remete às antigas atividades de produção de charque — carne salgada e seca ao sol — que foram fundamentais para a economia do Rio Grande do Sul nos séculos XVIII e XIX. As “charqueadas” eram os locais onde esse trabalho acontecia, verdadeiros polos produtivos que movimentavam a região e deixavam um legado econômico e cultural profundo. O nome, portanto, não é apenas uma denominação: é um testemunho histórico, uma lembrança permanente de um tempo em que o esforço humano moldava o desenvolvimento local.
Mas se o passado explica, é o presente que encanta. Charqueadas se destaca pelo acolhimento de sua gente, pela simplicidade que não significa ausência de grandeza, mas sim autenticidade. É um município que recebe, integra e transforma. Aqui, o sentimento de pertencimento não depende do tempo de residência, mas da disposição em viver a cidade com verdade.
Neste aniversário, mais do que olhar para trás, é preciso reconhecer o valor do que se constrói todos os dias. Charqueadas é feita de histórias cruzadas — de quem nasceu, de quem voltou e de quem, como eu, foi acolhido e decidiu ficar. É feita de raízes que se entrelaçam, formando uma comunidade que resiste, cresce e se reinventa.
Celebrar Charqueadas é, para mim, celebrar também um pouco de mim mesmo. Porque há lugares que nos recebem — e há aqueles que nos adotam. Charqueadas, sem dúvida, pertence ao segundo grupo.

(*) Marcelo Noronha - Jornalista






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