Seja bem-vindo
São Jerônimo, RS,01/04/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Machos alfas?

Homens frágeis e tóxicos

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Machos alfas?

João Adolfo Guerreiro

Estamos vivendo uma epidemia de feminicídios no Brasil, e isto é um fato social que, para além de suas causas objetivas, possui também fatores subjetivos, ideológicos, reproduzidos socialmente através da linguagem.

Recentemente, por mais paradoxal que pareça, duas profissionais da Segurança Pública foram vitimas de seus companheiros e colegas, crimes de grande repercussão social e midiática. Quando a morte violenta chega assim, no âmbito doméstico e perto do coração, nem a formação, a experiência profissional e o porte de arma defendem, eis que o elemento surpresa, sorrateiro, covarde, oportunista e assassino, é armadilha inescapável. Imaginem então nos outros casos, ceifando a vida de mulheres sem formação específica policial?

Num dos casos, cuja vítima era guarda municipal, seu companheiro, policial rodoviário federal, matou-a a tiros invadindo a casa de seus pais, onde esta dormia; no outro, um tenente-coronel PM supostamente esganou sua jovem esposa, soldado PM feminina, desacordando-a e posteriormente efetuando um disparo de pistola em sua cabeça, com o objetivo de simular um suicídio. Está preso, por determinação judicial.

Chama a atenção no segundo feminicídio a linguagem do suspeito para com a vítima, utilizada via um aplicativo de celular. Afirmando-se "macho alfa" e "provedor", qualificava e pretendia sua mulher como "fêmea beta", "submissa". Googlando na Internet, verifica-se que este discurso é conforme a ideologia do movimento online misógino chamado Red Pill. Bah, um tenente-coronel PM, com décadas na função, reproduzindo discurso de moleque criminoso! Não sei o que surpreende mais, se um oficial PM usando termos de vagabundo ou se o homem maduro com tamanho retardo experiencial e intelectual.

Vejam só, homem visto como "lobo líder" e mulher como peixe de aquário, que ideologia mais tola, imatura e idiota, demonstrando a fragilidade emocional, psicológica e cognitiva do homem por ela embasado. "Beta e submissa", para uma colega de farda, policial, independente e guerreira? Que tolice, que tragédia. E esse discurso é totalmente sem base na realidade do mundo animal e na ciência, é só estudar o comportamento dos lobos e dos peixes bettas pra constatar isso. Ou seja, além de caricatural, essa ideologia é ignorante.

Por minha experiência de vida, aqueles tontos, frágeis, tóxicos e inseguros, predadores covardes e sorrateiros, que buscam (argh) essa quimera ideológica chamada "fêmea beta submissa", não a devem procurar entre as profissionais da Segurança Pública. Para essas mulheres, que não são como as de Atenas da canção do Chico, os candidatos, além de machos, devem ser homens estruturados que se garantam, não moleques imaturos com insegurança juvenil. Aliás, a "fêmea beta" é fantasia da masculinidade frágil, pois hoje em dia as mulheres estudam, trabalham e são independentes, precisam - quando querem e optam - de namorados ou de companheiros de jornada e luta, não de provedores algozes. Não criamos nossas filhas e netas para essa escória. 

Como fato social, a anomia do feminicídio deve ser tratada com políticas públicas de diferentes segmentos. Segurança, Justiça, Congresso Nacional, Educação, Mídia, todos unidos contra ideologias misóginas tóxicas e violentas. As leis devem sim endurecer (como faz a Maria da Penha), não apenas contra os criminosos, mas também contra a ideologia, a linguagem e o discurso misógino que os legítima.

A sociedade brasileira precisa evoluir. Mulher não é propriedade. Repugnante, trágica e revoltante essa epidemia infame.




COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.