Flávio Bolsonaro admite desistir da candidatura e afaga Tarcísio
Após reação negativa do Centrão e desempenho fraco em pesquisas, senador condiciona retirada da disputa à aprovação de anistia para Jair Bolsonaro e diz que pretende negociar com líderes do bloco
Senador Flávio Bolsonaro Menos de dois dias após anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indicou neste domingo (08/12) que pode desistir da disputa em 2026. A sinalização veio após o parlamentar participar de um culto em Brasília — evento tratado como sua primeira agenda de pré-campanha — e ocorre em meio à insatisfação do Centrão e aos resultados desfavoráveis da pesquisa Datafolha divulgada no sábado, que mostraram baixa aceitação ao seu nome. Flávio afirmou que está disposto a recuar, mas ressaltou que sua desistência “tem um preço”, mencionando a necessidade de negociar apoio à aprovação de uma anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Datafolha indica que apenas 8% dos entrevistados consideram Flávio o melhor nome para ser apoiado pelo ex-presidente. Ele é superado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (22%) e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (20%). O levantamento aponta ainda que 50% dos eleitores não votariam em nenhum candidato indicado por Jair Bolsonaro.
A repercussão dentro do próprio grupo político confirmou o desgaste. Aliados do Centrão demonstraram contrariedade com a decisão do senador, vista como unilateral e precipitada. Segundo relatos, a possibilidade de neutralidade do bloco em 2026 passou a ser debatida logo após o anúncio da candidatura. Pressionado, Flávio disse que pretende conversar nesta segunda-feira (09) com dirigentes partidários como Valdemar Costa Neto (PL), Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil) e Marcos Pereira (Republicanos), além do líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN).
O senador reforçou que seu principal objetivo no momento é garantir a votação de uma anistia mais ampla no Congresso, medida que poderia beneficiar o pai, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele afirmou esperar que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cumpram o compromisso de pautar o tema ainda nesta semana.
Nos bastidores, a hipótese de que o lançamento de Flávio seria parte de uma “estratégia” para reforçar a pressão por anistia a Jair Bolsonaro ganhou força entre apoiadores — movimento que o próprio senador não desmentiu. Ele admitiu que pretende usar a pré-candidatura como instrumento de negociação: “Eu tenho um preço para isso. Vou negociar”, afirmou.
Enquanto busca rearranjar sua posição no cenário eleitoral, Flávio passou a adotar um discurso mais conciliador em relação ao governador Tarcísio de Freitas, visto como o nome mais competitivo da direita para enfrentar Lula em 2026. O senador chamou Tarcísio de “principal cara do time” e afirmou que sua primeira conversa após decidir se lançar candidato foi justamente com o governador paulista, cuja reação, segundo ele, “foi muito boa”.
A aproximação ocorre no momento em que o mercado financeiro reage com preocupação à possibilidade de Flávio liderar a chapa da direita. O anúncio de sua candidatura, na sexta-feira, provocou queda na Bolsa e piora no humor dos investidores. O senador afirmou que a reação foi “natural”, mas considerou que houve uma análise “precipitada”, garantindo que representa um “Bolsonaro diferente, mais centrado” e empenhado em promover uma “pacificação no país”.
Flávio deverá visitar novamente o pai na prisão nesta segunda-feira, quando pretende atualizá-lo sobre as negociações com o Centrão e sobre sua possível retirada antecipada da corrida presidencial.






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