Datafolha: Aprovação do governo Lula estaciona e reprovação segue em 37%
Pesquisa indica estabilidade após meses de turbulência política; efeitos de crises com Congresso, caso Bolsonaro e tensão internacional moldam cenário
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva A nova pesquisa Datafolha mostra que a recuperação da aprovação do governo Lula (PT) perdeu fôlego, permanecendo em 32%, mesmo índice dentro da margem de erro do levantamento anterior. Já a reprovação é de 37%, enquanto 30% consideram o governo regular. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
O levantamento, realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro, entrevistou 2.002 eleitores em 113 municípios. Na rodada anterior, de setembro, o governo registrava 33% de aprovação e 38% de reprovação — números estatisticamente estáveis.
Polarização, crises políticas e impacto externo
A estagnação ocorre após um período em que Lula havia mostrado ligeira recuperação, impulsionado pelo acirramento da polarização política. Na ocasião, Jair Bolsonaro (PL) estava em prisão domiciliar e seria condenado pelo STF dias depois. A disputa retórica entre Lula e o então presidente dos EUA, Donald Trump, também movimentava o cenário.
Desde então, o ambiente mudou. Lula buscou reaproximação com Trump, encontrando o americano na Malásia e conseguindo a derrubada de algumas tarifas impostas aos produtos brasileiros. Em contrapartida, dentro do país, o Planalto acumulou derrotas no Congresso, especialmente no Senado, onde a indicação de Jorge Messias ao STF provocou desgaste com setores aliados.
Crise na direita e desgaste contínuo
No campo bolsonarista, Bolsonaro foi preso novamente em novembro por violar a tornozeleira eletrônica, e dias depois teve o trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe em 2022, enfraquecendo sua influência. A indefinição sobre quem liderará seu grupo político tem gerado ruído, com Flávio Bolsonaro se colocando como pré-candidato a presidente.
Mesmo assim, os efeitos dessas turbulências não se traduziram em melhorias expressivas para Lula. A morte de uma professora após uma operação policial no Rio, seguida de críticas à condução do governo no tema da segurança, também impactou o ambiente, embora analistas avaliem que o episódio tenha sido absorvido no debate público.
Medidas econômicas não impulsionam aprovação
A principal vitória recente do governo — a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — ainda não gerou ganhos concretos nas pesquisas. Entre os trabalhadores que ganham de 2 a 5 salários mínimos, segmento mais beneficiado, houve oscilação positiva de quatro pontos, mas dentro da margem de erro.
No retrato geral, 49% aprovam o trabalho pessoal de Lula, enquanto 48% desaprovam — números idênticos aos da pesquisa anterior.
Perfis de aprovação e rejeição
A divisão segue marcada pelo padrão eleitoral das últimas décadas:
- Aprovam acima da média: pessoas com 60 anos ou mais (40%), menos escolarizados (44%), moradores do Nordeste (43%) e católicos (40%).
- Reprovam mais: quem tem ensino superior (46%), renda de 5 a 10 salários mínimos (53%), sulistas (45%) e evangélicos (49%).
Contexto histórico
Apesar da estabilidade atual, o governo já enfrentou momentos piores: em fevereiro, a aprovação chegou a 24%, a menor de todos os mandatos de Lula. Agora, porém, os índices estão distantes de seus dois primeiros governos — em 2009, por exemplo, tinha 72% de aprovação.
Ainda assim, Lula supera Bolsonaro no mesmo período do mandato: em 2021, o ex-presidente registrava 53% de reprovação e apenas 22% de aprovação.
O Datafolha indica, no momento, um cenário de estabilidade e divisão, que reflete a polarização persistente, os conflitos em Brasília e a falta de fatos recentes capazes de alterar significativamente o humor do eleitorado.






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