Ocupação das plantas da Braskem em Triunfo cai para 52%, o menor nível da história
Setor petroquímico enfrenta queda de competitividade, avanço das importações e aposta em gás para reduzir impactos
Setor petroquímico enfrenta queda de competitividade, avanço das importações e aposta em gás para reduzir impactos A ocupação das plantas da Braskem em Triunfo caiu para 52%, o menor nível desde a criação do polo petroquímico gaúcho. O índice — que deveria se manter acima de 80% para uma operação financeiramente saudável — reflete a forte retração enfrentada pela indústria química nacional, pressionada pelo aumento das importações e pela perda de competitividade.
O dado foi apresentado nesta terça-feira (2) durante o Expo Supplier’s, evento promovido pela Braskem pela primeira vez em Triunfo e que reúne representantes do setor para discutir estratégias e soluções para o mercado.
Importações pressionam setor
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o déficit comercial de produtos químicos deve chegar a US$ 44,1 bilhões em 2025, crescimento de 23% em relação ao ano anterior. A participação de itens importados no consumo nacional atingirá 49%, praticamente metade de tudo o que o país utiliza.
No Rio Grande do Sul, as unidades da Braskem têm capacidade instalada para produzir 3 milhões de toneladas de produtos químicos e 2 milhões de toneladas de resinas por ano. Porém, com a ociosidade alta, a produção tem sido reduzida.
Alternativa no gás
Para enfrentar o cenário, a empresa busca novas estratégias de competitividade. Uma delas é ampliar o uso de gás natural como matéria-prima, substituindo parte da tradicional nafta.
O diretor industrial da Braskem no RS, Nelzo Silva, destacou que o polo já foi projetado para operar com algum volume de gás e que a companhia restabeleceu as condições técnicas para processar até 144 mil toneladas anuais do produto sem necessidade de expansão.
Uma carga experimental de 2,2 mil toneladas, trazida da Argentina recentemente, comprovou a viabilidade técnica do processo. Mas, segundo Silva, ainda é preciso superar desafios logísticos para garantir o abastecimento contínuo e competitivo.
— Os desafios não são mais tecnológicos. Precisamos de ações conjuntas para que o gás chegue ao Estado com preços viáveis, afirmou.
Entre as alternativas estudadas estão o transporte via hidrovia e a possibilidade de um futuro gasoduto.
Presiq pode ajudar a reverter o cenário
O presidente do Sinplast-RS, Alfredo Schmitt, afirmou que 2025 tem sido um ano difícil para toda a cadeia petroquímica e que a retomada está projetada para 2026. Para ele, o recém-aprovado Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) — que aguarda sanção presidencial — pode ser decisivo.
O projeto prevê R$ 3 bilhões anuais em incentivos, sendo R$ 2,5 bilhões em créditos para aquisição de insumos sustentáveis e R$ 500 milhões para inovação e expansão produtiva.
Schmitt, porém, ressaltou que o plano precisa ir além das produtoras de resina e incluir a “ponta final” do setor:
— Quem vende o produto é a indústria de transformação. Precisamos de políticas que contemplem toda a cadeia, disse.
Sanção é aguardada
O deputado federal Afonso Motta (PDT-RS), presidente da Frente Parlamentar da Química, explicou que o governo federal tem até 19 de dezembro para sancionar o projeto.
— Estamos trabalhando para mostrar ao presidente a importância da medida, mas sempre atentos à possibilidade de eventuais vetos, afirmou.
Expo Supplier’s abre debate no polo
O Expo Supplier’s, que segue até quinta-feira (4), reúne fornecedores e especialistas para apresentar soluções em sustentabilidade, logística, elétrica, instrumentação, caldeiraria, laboratório e outras áreas fundamentais para a competitividade do polo petroquímico gaúcho.
O evento ocorre em um momento considerado crítico para o setor, que busca alternativas para reverter o aumento da ociosidade e recuperar espaço no mercado nacional.






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