Quatro municípios da Região Carbonífera têm risco alto e muito alto de inundação
Novo Atlas de Risco de Inundações aponta 43 municípios com ameaça muito alta no RS
Enchente em São Jerônimo em maio de 2024 O Rio Grande do Sul conta com um novo diagnóstico técnico sobre as áreas suscetíveis a inundações. O Atlas de Risco a Inundações do RS atualiza o material publicado em 2014 pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e reúne informações sobre a frequência e os impactos das cheias em áreas urbanizadas, além de indicar vulnerabilidades municipais. O objetivo é orientar políticas públicas, priorizar investimentos e fortalecer ações de prevenção.
A atualização foi motivada pelos eventos extremos de 2023 e, principalmente, de 2024, que colocaram o Estado no centro do debate nacional sobre mudança climática e gestão de riscos. A secretária estadual do Meio Ambiente, Marjorie Kauffmann, afirma que o atlas “entrega uma base técnica sólida e decisiva para apoiar os municípios na construção de estratégias mais eficazes diante dos eventos meteorológicos extremos”.
346 municípios apresentam algum nível de risco
O levantamento identificou que 346 municípios, cerca de 70% do território gaúcho, têm risco significativo de inundações ou enxurradas. Entre eles:
- 43 têm risco muito alto,
- 82 têm risco alto,
- 108 têm risco médio,
- 113 têm risco baixo.
As maiores concentrações de risco estão na Bacia do Guaíba — que abrange os rios Sinos, Caí, Gravataí e Taquari-Antas — e na calha do Rio Uruguai, incluindo cidades como Uruguaiana, Itaqui, São Borja e Porto Xavier.
A classificação leva em conta três abordagens complementares:
- manchas de inundação simuladas;
- método hidrológico baseado em vazões e registros;
- análise qualitativa com dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2Id).
O maior risco encontrado entre as três metodologias é sempre o adotado, tornando o resultado mais conservador.
Região Carbonífera: quatro municípios entre risco alto e muito alto
Na Região Carbonífera, o estudo também aponta vulnerabilidades expressivas.
Entre os municípios analisados:
- Charqueadas e São Jerônimo estão classificados com risco muito alto;
- General Câmara e Triunfo aparecem com risco alto.
As quatro cidades integram a área mais pressionada pelos impactos hidrológicos que atingiram o Estado nos últimos anos, especialmente com cheias recorrentes dos rios Jacuí e Taquari e das bacias associadas.
Recomendações e próximos passos
O atlas orienta ações como definição de prioridades de investimento, elaboração de planos de contingência, instalação ou melhoria de sistemas de alerta, obras de proteção, zoneamento de áreas suscetíveis e fortalecimento da gestão integrada entre Estado e municípios.
Publicada durante o 26º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, em Vitória (ES), a atualização foi desenvolvida pela ANA em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), a Defesa Civil Estadual e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). O objetivo é acelerar a adoção de medidas que reduzam riscos e danos provocados por enchentes, alinhando o trabalho ao Plano Nacional de Recursos Hídricos e ao Plano Rio Grande.






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