Legislativo de Triunfo aceita novo pedido de impeachment do prefeito e vice

Em noite de Câmara lotada, os 10 vereadores presentes votaram pela investigação de Belô e Orison

Por Portal de Notícias 12/02/2019 - 08:57 hs
Foto: Mônica Patrícia Ferreira / O Triunfense
Legislativo de Triunfo aceita novo pedido de impeachment do prefeito e vice
Plenário da Câmara esteve lotado na noite de ontem

Na noite de segunda-feira (11), a Câmara de Vereadores de Triunfo aceitou um novo pedido de cassação do mandato (impeachment) do prefeito Valdair Gabriel Kuhn (Belô, PSB) e do vice-prefeito Orison Donini Cezar Júnior (PSDB). Eles serão investigados por terem cometido supostas irregularidades político-administrativas nas áreas de saúde e licitações. Um pedido de investigação anterior havia sido arquivado no mês de agosto do ano passado.
O presidente da Câmara de Vereadores, Murilo Machado da Silva (MDB) abriu a primeira sessão ordinária do Legislativo, dizendo que espera que em 2019 as coisas em Triunfo voltem ao seu devido lugar.

Os atos da atual Administração municipal começaram a ser questionados nos primeiros minutos de sessão, quando foram lidos projetos enviados pelo Executivo, de suplementação de verba para o exercício do corrente ano.
- Na primeira sessão do ano, o prefeito já mostra sua incompetência pedindo suplementação verba para pagar terceiros - disse o vereador Glauco dos Reis da Silva (PSDB).

Na sequência foram lidas 25 páginas do pedido de investigação e afastamento do prefeito Valdair Gabriel Kuhn (Belô, PSB) e também do vice-prefeito Orison Donini Cezar Júnior (PSDB). O documento foi protocolado na Câmara de Vereadores pelo cidadão triunfense Ozenir Alves da Silva Filho.

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A denúncia de infrações político-administrativas envolvendo o prefeito e o vice nas áreas da saúde pública e na de certames licitatórios. Cita a contratação classificada como ilegítima do Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde (IAHCS) para administração do Hospital Santa Rita, ingerências financeiras, contratações irregulares e ilegais através de termo de colaboração e parceria, contratações em empresas terceirizadas com indicações políticas e fraudes em processos licitatórios. O autor também declara que a calamidade pública e o estado de emergência em relação à saúde foram forjados pelo prefeito e pelo vice, na época secretário de Saúde, para que se pudessem colocar em prática as ações denunciadas.

“E para ficar bem claro: num simples e breve comparativo apenas entre o tempo do Decreto (que, a princípio, pelo seu Art. 4º foi por 180 dias) e o valor mensal do Termo de Parceria neste mesmo período (só os primeiro 180 dias), O Poder Executivo, de forma ilegal, gastou mais de R$ 2,6 milhões em pagamento somente para o IACHS.”, diz um dos trechos do documento.

Depois da leitura do pedido de impeachment, com o plenário lotado, os vereadores de manifestaram na tribuna.

Nelson Saraiva Aguilheiro (Gago, PDT) disse que não faz mais parte da base aliada do governo.
- Vou tratar o prefeito com educação, mas faço parte da oposição agora. Temos que pensar na forma como Triunfo está sendo governada, quem sabe da verdade é a população - enfatizou.

O vereador Marco Aurélio da Silva (Marquinho, REDE) disse que está na hora dos vereadores mostrarem porque estão lá.
- Temos o compromisso de honrar o município. Triunfo se transformou na cidade do desrespeito. O atual governo não cumpre determinações judiciais, desrespeita servidores, população e Legislativo. Está na hora de investigar e se tiverem cometido erros que sejam punidos. Temos um governo autoritário que não olha para o povo. Vamos correr todos os trâmites, respeitando a ética e cumprindo nossas obrigações - finalizou.
Um dos vereadores mais combativos à administração nestes últimos meses, Glauco dos Reais da Silva iniciou sua fala defendendo um reajuste digno aos servidores e criticando os projetos de suplementação orçamentária, que já havia criticado no início da sessão.
- Nosso dinheiro é para ser usado com a população e não para pagar forasteiros. O prefeito prefere ouvir quem diz o que ele quer. Foi a Câmara que sustentou a saúde do município em 2018. Estamos no dia 11 de fevereiro e ele já quer mexer no orçamento. Não queremos inviabilizar o município, mas não podemos compactuar com prejuízos a este mesmo município – concluiu.
Valmir Rodrigues Massena (Porongo, PSD) disse que todo pedido de impeachment tem que ser investigado.
- Espero que este pedido não vire pizza como nas outras vezes. Que se monte uma comissão que realmente investigue o prefeito. Não faço parte da administração - deixando claro que os rumores de que estaria apoiando o prefeito, não passam de boatos.
O vereador Adriano Costa da Silva (PPS) disse que tentou ajudar o prefeito a fazer uma boa administração, mas que há muita coisa errada acontecendo, que é possível que logo surjam outros pedidos de impeachment e que por isso agora também faz parte da oposição.

A votação do pedido de investigação e afastamento do prefeito e do vice ocorreu de forma aberta e nominal. Todos os dez vereadores presentes votaram pelo recebimento do pedido de investigação. Somente o vereador Cláudio Alfeu Rener Viana Junior (PRB) não estava presente na primeira sessão ordinária de 2019, do Legislativo Municipal.
Depois da votação, ocorreu o sorteio da comissão responsável por apurar os fatos denunciados. Fazem parte da comissão Valmir Rodrigues Massena como presidente, Marizete Cristina de Freitas Vaz (Moa, PP) como relatora e Nelson Saraiva Aguilheiro como membro.

Com informações de O Triunfense