Incentivo familiar: jeronimense Lara Matte aos 11 anos se destaca no mundo musical

Identificar uma potencialidade e dar apoio e incentivo é essencial para que um determinado talento não seja desperdiçado

Por Portal de Notícias 03/01/2019 - 20:50 hs
Foto: Arquivo pessoal
Incentivo familiar: jeronimense Lara Matte aos 11 anos se destaca no mundo musical
Lara Matte, aos 11 anos canta e toca quatro instrumentos

Carla Miller Trainini

A grande questão, além do dom em si, é ter por perto alguém que confie, acredite e que entenda as potencialidades sendo desenvolvidas com o passar dos anos. É o que explica a psicóloga Juliana da Rosa Linassi, pós-graduanda em Educação e Contemporaneidade pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL), campus Charqueadas.
- Acredito que, sempre que se remete à história das grandes genialidades, nós conseguimos tocar um pouquinho na questão da importância da família incentivar estes potenciais e os professores também auxiliarem sem repreender. Se formos ver, a palavra gênio nos remete a uma pessoa com grande capacidade mental, esta que todos nós temos e que basta conseguir desenvolvê-la - diz a psicóloga, que também está se formando em Terapia Comportamental Dialética.
Identificar uma potencialidade e dar apoio e incentivo é essencial para que um determinado talento não seja desperdiçado. Foi exatamente o que aconteceu com a jeronimense Lara dos Santos Matte, que aos 11 anos toca quatro instrumentos musicais, canta e já compôs sua primeira música. Graças ao incentivo dos pais, ela descobriu ter ouvidos para identificar o ritmo e coordenação motora para dedilhar piano, ukulele, violão e flauta doce.



ONDE TODO COMEÇOU

Tudo começou aos 6 anos, quando Lara quis aprender a tocar piano. As aulas, ministradas pela professora Patrícia Pradella Rihes foram cruciais para a primeira descoberta. 
Ela explica que a mão direita é que dá o acorde da música enquanto se dedilham as notas nas teclas. Foi por este motivo que começou a cantar enquanto aprendia a tocar o instrumento.

- Eu acredito que o piano ajudou muito a me afinar. Eu não conseguiria chegar direto na música e já sair cantando. As notas musicais no piano é que me auxiliaram. Foi onde tudo realmente começou. Os demais instrumentos foram surgindo naturalmente na história - salienta Lara.




DO PIANO PARA O CANTO

A partir do momento em que demonstrou interesse também pelo canto, com a devida atenção recebida de seus pais, que continuaram com o incentivo, surgiu a descoberta, de fato, do dom musical. Lara foi matriculada em uma renomada escola de música em Porto Alegre, a Escola Estúdio Musique, para ter aulas com o professor Willian Varela, responsável pelos treinamentos de diversos alunos que participaram do programa “The Voice Kids”, da Rede Globo.
- Quando comecei a tocar e cantar, minha mãe percebeu que a história estava ficando séria e que eu realmente estava gostando de cantar. Ela achou no Facebook meu professor de canto, de Porto Alegre. Em seguida entrou em contato com a Escola Estúdio Musique e decidiu me matricular pra ver se eu ia gostar. Conheci o Wilian Varela, fiz o teste, passei e faço essa aula de canto até hoje. Isso tudo há quase três anos - disse Lara, que vai toda sexta-feira à capital para ter aulas de canto.



DAS AULAS PARA OS PALCOS

O salto das salas de aulas para os palcos foi imediato. Pela Estúdio Musique, Lara participou do Festival de Outono (que é da própria Instituição). Outra oportunidade recebida foi cantar com uma amiga no Buteco Tchê, uma casa de shows na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Além destes, ela menciona que também participou de um sarau, no Tempero Literário, em São Jerônimo, além de diversas outras participações com o grupo “Anitas”, que rendeu uma apresentação na Feira do Livro de Triunfo este ano, quando cantou a música “Do amor e da guerra”, da minissérie Anita Garibaldi, da Rede Globo.
- Uma coisa que eu acho muito engraçada é que toda vez que chega a hora de me apresentar, dá um friozinho na barriga. Mas quando subo no palco, dá vontade de não sair mais, porque a gente se conecta com as pessoas que estão nos assistindo e isso é maravilhoso. Eu fico sempre muito preocupada em não errar a letra, em não desafinar, só que chega na hora e tudo flui. É uma delícia, não tem como explicar essa sensação. A música, quando estamos no palco, vem naturalmente e a troca de energia com as pessoas que estão nos vendo tocar ou cantar, é linda - conta.



GANHAR NÃO É TUDO
Na música Lara ainda não ganhou nenhum troféu, mas participou de um festival na Sogipa, em Porto Alegre, onde concorreu com 60 cantores mirins e considera este o seu maior feito. Na ocasião ficou classificada entre os cinco melhores, mas a premiação era apenas para primeiro, segundo e terceiro lugares. No entanto, embora não tenha ganhado nada, estava na companhia de seus amigos e familiares, o que faz com que esta seja a sua melhor memória com relação à música.
Apesar da pouca idade, Lara demonstra sensibilidade ao entender a diferença entre “ganhar e perder”. Sua perspectiva sobre o assunto demonstra a maturidade conquistada através da disciplina e responsabilidade adquiridas pelos estudos extraclasse.
- Eu penso em música e me lembro desse dia, porque todos os meus amigos estavam lá. Nós fomos juntos em uma van, nos divertimos muito neste festival e saímos depois para jantar. Então, não importa que eu não tenha ganhado nada. Foi muito mais legal estar na presença dos meus amigos e da família do que se eu tivesse ganhado alguma coisa e estivesse sozinha, porque foi realmente sensacional aquele dia, finaliza a menina prodígio, que abriu o show do gaúcho Thomaz Machado, vencedor do programa Global “The Voice Kids”. O show aconteceu na Praça de São Jerônimo, no dia 8 de dezembro de 2018.

O QUE ELA DISSE

“Sou apaixonada pelo canto, porque é através dele que eu consigo passar alegria para as pessoas. É lindo entender que a música melhora muito mais a nossa vida. Quem toca algum instrumento certamente é muito mais feliz e é maravilhoso poder transmitir alegria desta maneira. Eu sei que todo mundo tem seus altos e baixos, eu também tenho, é normal. Às vezes, quando estou preocupada ou triste, toco algum instrumento e canto junto e isso melhora muito o meu astral. A música é um presente na minha vida”.

Lara dos Santos Matte, 11 anos, estudante, cantora, instrumentista e compositora



LARA DOS SANTOS MATTE

- Tem 11 anos
- É filha de Walter Matte e Sândia dos Santos Matte
- Cursa o sexto ano do Ensino Fundamental no Colégio Carlos Maximiliano, em São Jerônimo
- Aprendeu a tocar piano aos 6 anos, quando despertou para o canto.
- Também toca outros três instrumentos musicais: Ukulele, Violão e Flauta Doce
- Já participou de festivais de música na Sogipa, em Porto Alegre e do Festival de Outono, da Escola Estúdio Musique, onde estuda, também em Porto Alegre.
- Fez diversas outras participações com amigos e apresentações solo cantando e tocando algum instrumento
- No dia 26 de dezembro do ano passado, Lara e o irmão Leonardo se apresentaram juntos pela Escola Musique, no Dado Bier do Bourbon Country, em Porto Alegre.
- Compôs sua primeira música, onde o tema é a relação com o irmão Leonardo. A letra está pronta e deverá ser gravada em breve. “Aos 6 anos comecei a compor minha primeira música autoral. Tenho um irmão, o Leonardo, que, como toda relação entre irmãos, a nossa não foi diferente, brigávamos muito, mas nada sério. Só que ele sempre foi a minha inspiração, então a letra fala sobre essa relação de amizade que a gente possui. Ela já está pronta e agora vou gravá-la”.
- Tem um canal do YouTube que leva seu nome, que foi feito para postar covers de outros artistas e também fazer comédia. Ele pode ser acessado através do link
https://www.youtube.com/channel/UCiCQfioPXKAsjGYuxCNpw2g
- Seu trabalho também é divulgado na rede social Facebook, onde posta fotos e vídeos de suas apresentações. O perfil oficial pode ser acessado no link https://www.facebook.com/laramatteoficial/


zOOm no potencial do ser humano:
>
Múltiplas inteligências: uma questão de incentivo às potencialidades do ser humano
>
Foco e disciplina: charqueadense Marlon Rio concorre ao título de doutor mais jovem do Brasil
> Marina Cabral e o futebol: de Charqueadas para os Estados Unidos