Triunfo registra prisão em operação contra o ‘golpe dos nudes’
Ação do Ministério Público do RS e de MG cumpriu mandados também em Sapucaia do Sul, Eldorado do Sul e Guaíba e investiga esquema de extorsão com vítimas em vários Estados
Triunfo registra prisão em operação contra o ‘golpe dos nudes’ O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), apoiou nesta quinta-feira (05/03) o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na segunda fase da operação Dramaturgia do Medo, voltada ao combate ao chamado “golpe dos nudes” ou “golpe da novinha”.
A ação resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em quatro cidades gaúchas: Triunfo, Sapucaia do Sul, Eldorado do Sul e Guaíba. Em Triunfo, uma mulher investigada foi presa.
Atendendo à requisição do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (GAECIBER) do MPMG, equipes do GAECO do MPRS, com apoio da Brigada Militar, Receita Estadual e Polícia Rodoviária Federal, realizaram as diligências. Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e dispositivos de armazenamento, que passarão por análise após autorização judicial para quebra de sigilo.
Na primeira fase da operação, realizada na terça-feira (03/03), um homem já havia sido preso em Camaquã, no Sul do Estado. Segundo as investigações, o grupo criminoso teria movimentado cerca de R$ 150 mil em apenas 30 dias. Até o momento, ao menos 15 vítimas foram identificadas em seis Estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, seis pessoas são investigadas.
Como funcionava o golpe
De acordo com o MPMG, os criminosos utilizavam perfis femininos falsos em redes sociais para iniciar conversas com as vítimas. Após algum tempo de interação, as conversas evoluíam para troca de imagens de cunho sexual.
Na sequência, surgiam supostos familiares da jovem e, posteriormente, indivíduos que se apresentavam como delegados ou promotores de Justiça, alegando que a vítima teria se envolvido com uma menor de idade.
Com base nessa falsa acusação, os golpistas exigiam pagamentos para evitar uma suposta responsabilização criminal. Em um dos casos investigados, a vítima chegou a transferir R$ 4 mil e posteriormente foi pressionada a pagar mais R$ 30 mil. Em outro registro, houve tentativa de cobrança de R$ 8 mil.
As apurações também apontaram que os perfis utilizados possuíam credenciais e endereços de IP distribuídos por diversos Estados, indicando o uso de contas de terceiros para dificultar o rastreamento. A quebra de sigilo bancário identificou movimentação superior a R$ 150 mil em apenas um mês, com recursos distribuídos entre contas de diferentes regiões do país.
Há vítimas identificadas em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Roraima.
— Em apoio ao GAECIBER, o GAECO do MPRS efetuou duas prisões nesta quinta-feira. Um dos alvos era o responsável pelas extorsões e o outro, uma mulher, atuava como laranja, embora também realizasse movimentações financeiras para o grupo. Essa ação contribui para descapitalizar as organizações criminosas e estancar esses crimes que tanto têm atingido a sociedade — afirmou o coordenador estadual do GAECO no Rio Grande do Sul, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas.
Segundo o coordenador do GAECIBER do MPMG, promotor de Justiça André Salles Dias Pinto, o esquema apresenta características de atuação estruturada.
— O esquema demonstra atuação organizada, com divisão de tarefas e alcance nacional, valendo-se de perfis falsos e identidades de autoridades para extorquir vítimas — destacou.






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