Governador Leite pode mudar projetos para ter apoio de aliados
Após críticas e manifestações públicas contrárias, governador realizou reunião na noite de ontem com parlamentares
Leite solicitou aos parlamentares que levantem as dúvidas e sugestões sobre os projetos O governador Eduardo Leite recebeu, no início da noite desta terça-feira
(3/12), um grupo de deputados aliados para conversar sobre as medidas da
Reforma RS. No encontro, que ocorreu na ala residencial do Palácio Piratini,
foram discutidos pontos dos projetos e a tramitação do conjunto de propostas na
Assembleia Legislativa.
- Temos uma oportunidade histórica de mudar o Rio Grande do Sul. Hoje, há
ambiente político para promovermos uma reforma fundamental para o futuro do
Estado. O governo está totalmente à disposição dos deputados para esclarecer, a
qualquer momento, questões que envolvam os projetos - afirmou Leite.
Ao longo da conversa, o governador solicitou aos parlamentares que levantem, em
suas bancadas, dúvidas e sugestões sobre os projetos. Após isso, nas próximas
semanas, Leite conversará individualmente com cada bancada para discutir e
elucidar pontos específicos das medidas.
Além de deputados aliados, participaram do encontro o vice-governador Ranolfo
Vieira Júnior, o chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, e o procurador-geral do
Estado, Eduardo Cunha da Costa.
PRESSÃO DOS ALIADOS
A reunião ocorreu diante das sucessivas críticas de deputados da base e na
iminência de derrota em votação na Assembleia Legislativa. Parte do pacote
protocolado passa a trancar a pauta de votações no dia 17 de dezembro. A
intenção foi tentar negociar algumas possíveis mudanças e garantir apoio dos
parlamentares. O pacote prevê a revisão das carreiras e da Previdência do
funcionalismo. A proposta de maior polêmica até o momento é a que envolve a
carreira do Magistério.
O encontro ocorreu após um dia de fortes manifestações no Legislativo. Na
tribuna, deputados da oposição fizeram duras críticas às medidas. Inclusive, o
grande expediente foi ocupado pelo deputado Valdeci Oliveira (PT), que
considerou o pacote como um “atestado de crueldade e desumanidade” emitido às
vésperas do Natal. Nas galerias, representantes de diversas categorias
acompanhavam as manifestações.
Desde a semana passada, notas de reprovação, sobretudo à proposta que envolve
os professores, foram se sucedendo entre os partidos. MDB, PP, PT, PSL,
Republicanos e PDT publicaram textos contestando pontos do pacote. Ontem foi a
vez do PSB. “Na análise dos projetos do governo, o PSB recusa-se a rejeitar o
pacote como um todo, mas fará o exame fatiado do seu conteúdo, eliminando apoio
a qualquer texto que contribua para a desigualdade, imediatamente ou ao longo
do tempo, e que assegure privilégios”, diz trecho da nota emitida pelo partido.
O líder do governo, Frederico Antunes (PP), disse à tarde que expressar
publicamente posições não será o suficiente para promover alterações sobre as
propostas.
- Não adianta dizer que é contra, sem dizer as razões. É preciso que os
críticos digam onde propõem alterações e que tipo de resultado terá esta medida
- pontuou.
Antunes defendeu o que o governo entende como “necessidade” de realizar
modificações nas carreiras públicas e afirmou que o Piratini está aberto ao
diálogo.
PRESIDENTE DA AL DEFENDE RETIRADA DA
URGÊNCIA
O pacote do governo do Estado recebeu mais uma manifestação contrária. Apesar
de não votar em plenário, o presidente da Assembleia Legislativa, Luis Augusto
Lara, manifestou, na manhã desta quarta-feira, que o ideal seria o Executivo
retirar o pedido de urgência as medidas. Pelo regimento, ao ser enviado com
esse pedido, a matéria passa a trancar a pauta de votação após 30 dias, o que
neste caso acontecerá no dia 17 de dezembro.
O presidente da Assembleia disse que a posição foi repassada ao governador
Eduardo Leite, durante encontro, na segunda-feira, no Palácio Piratini. A
justificativa é a complexidade das medidas. Lara é do PTB, partido da base
aliada do governo e do vice-governador, Ranolfo Vieira Júnior.
A manifestação de Lara ocorreu durante o café da manhã promovido pelo Movimento
Unificado de Servidores, no Salão Júlio de Castilhos, no Legislativo. Na
ocasião, foi apresentado um estudo técnico com críticas às mudanças propostas
pelo Executivo. Segundo o presidente do Movimento e da Fessergs, Sérgio Arnoud,
apontou que o projeto impacta apenas nos servidores, ao invés de focar na
geração de receita.
Com informações do Governo do Estado e Correio do Povo






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