Pacífico atinge condições de Super El Niño antes do previsto e acende alerta para eventos climáticos extremos
Aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico já alcança patamar histórico e pode tornar o fenômeno de 2026/2027 um dos mais intensos já registrados, com reflexos importantes para o Sul do Brasil
O destaque deste ano é a rapidez com que o aquecimento ocorreu As águas do Oceano Pacífico Equatorial atingiram, de forma inédita para esta época do ano, condições de Super El Niño, cenário que aumenta a preocupação de meteorologistas com a possibilidade de um dos eventos climáticos mais intensos da história recente. A informação foi divulgada pela MetSul Meteorologia com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
De acordo com o Índice Oceânico Niño (ONI), principal referência internacional para monitorar o fenômeno, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,0°C, valor que caracteriza um El Niño de intensidade muito forte, conhecido como Super El Niño.
O destaque deste ano é a rapidez com que o aquecimento ocorreu. Em eventos históricos, como os de 1982, 1997, 2015 e 2023, esse patamar só foi alcançado entre setembro e novembro. Em 2026, porém, a marca foi registrada cerca de quatro meses antes do habitual, algo sem precedentes nos registros modernos.
Novo índice apresenta avaliação mais conservadora
A NOAA também passou a utilizar um novo sistema de monitoramento, chamado Índice Oceânico Niño Relativo (rONI), que busca descontar parte do aquecimento provocado pelas mudanças climáticas globais.
Por esse novo indicador, o aquecimento atual está em +1,3°C, ainda abaixo do limite de Super El Niño, mas suficiente para que a agência norte-americana estime 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte nos próximos meses.
Segundo os especialistas, o rONI oferece uma visão mais precisa ao comparar o aquecimento do Pacífico Equatorial com o restante dos oceanos tropicais, reduzindo a influência do aquecimento global sobre os cálculos.
Modelos indicam evento excepcional
Os principais centros meteorológicos do mundo convergem para um cenário de fortalecimento contínuo do El Niño ao longo do segundo semestre.
Modelos climáticos de instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o Met Office do Reino Unido, o Bureau de Meteorologia da Austrália e outros organismos internacionais projetam que o fenômeno poderá superar os grandes episódios registrados em 1982/83, 1997/98 e 2015/16.
As projeções indicam que o pico do aquecimento poderá variar entre +2,7°C e +5,3°C, valores considerados extremamente elevados para a região monitorada.
Sul do Brasil deve concentrar os maiores impactos
Os efeitos do El Niño já começam a ser observados e tendem a ganhar intensidade ao longo do inverno, da primavera e do verão.
Para a Região Sul, a expectativa é de aumento expressivo da frequência de chuvas, com maior risco de enchentes, cheias de rios, temporais, vendavais, granizo e até tornados em determinados episódios.
A MetSul destaca que Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul devem enfrentar períodos de precipitação acima da média, principalmente entre o fim do inverno e a primavera.
Apesar da preocupação, os meteorologistas ressaltam que não é possível afirmar que haverá uma repetição da tragédia climática de 2024 no Rio Grande do Sul. Embora o El Niño seja um fator importante, eventos extremos dessa magnitude dependem da combinação de diversos fatores atmosféricos e só podem ser previstos com maior precisão em curto prazo.
Especialistas recomendam o acompanhamento constante das previsões meteorológicas nos próximos meses, período em que o fenômeno deverá atingir sua máxima intensidade e produzir seus principais impactos sobre o clima brasileiro.





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