Relatório de instituto reforça denúncias sobre impactos da mineração em Arroio dos Ratos
Estudo técnico do Instituto ARAYARA aponta que atividade mineradora alterou a dinâmica hídrica da região e agravou os efeitos das enchentes; deputada Luciana Genro cobra providências
Estudo técnico do Instituto ARAYARA aponta que atividade mineradora alterou a dinâmica hídrica da região e agravou os efeitos das enchentes; deputada Luciana Genro cobra providências Um relatório técnico elaborado pelo Instituto ARAYARA reforçou as denúncias sobre os impactos da atividade mineradora em Arroio dos Ratos. O estudo conclui que as operações da mineradora COPELMI modificaram a dinâmica natural do escoamento das águas, contribuindo para ampliar as áreas alagadas e agravar os efeitos das enchentes registradas no município, especialmente durante o evento de 18 de junho de 2025.
As conclusões fortalecem as denúncias apresentadas pela deputada estadual Luciana Genro (PSOL), que desde 2025 acompanha as reivindicações de moradores atingidos pelas inundações. Segundo a parlamentar, a população procurou seu mandato para relatar que as atividades de mineração teriam alterado significativamente o comportamento hídrico da região, aumentando os riscos para centenas de famílias.
Desde então, Luciana promoveu audiências públicas, participou de reuniões com órgãos ambientais, encaminhou o caso ao Ministério Público e acompanhou as mobilizações da Comissão de Moradores Atingidos.
— O que este relatório demonstra é que a preocupação dos moradores era legítima e precisava ser levada a sério. Durante muito tempo, eles denunciaram o que estavam vivendo e encontraram resistência para serem ouvidos. Agora, temos uma análise técnica independente que demonstra que essas denúncias precisavam ter sido tratadas com a máxima seriedade — afirmou a deputada.
O documento foi elaborado pela técnica de geoprocessamento e meio ambiente do Instituto ARAYARA, Joana Nascimento. A análise aponta que, embora as fortes chuvas tenham sido a causa principal da enchente, as intervenções provocadas pela mineração alteraram o comportamento do escoamento das águas, potencializando os impactos sobre as áreas urbanas.
O estudo foi apresentado à comissão parlamentar criada para investigar a relação entre a extração de carvão e as enchentes registradas em Arroio dos Ratos nos últimos anos.
Segundo Luciana Genro, o relatório não atribui exclusivamente à mineração a responsabilidade pelos eventos climáticos extremos, mas demonstra que alterações no território podem intensificar seus efeitos.
O documento também aponta possíveis falhas no cumprimento das obrigações ambientais por parte da empresa. Conforme o relatório, após o rompimento do dique de contenção da mina, em junho de 2025, a COPELMI comunicou à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) apenas danos internos ao empreendimento, sem relatar os impactos sofridos pela população atingida pelas inundações.
Na avaliação do Instituto ARAYARA, essa comunicação não atenderia às exigências previstas na licença ambiental, que determinam a notificação imediata de riscos e danos à população e ao meio ambiente.
Para a deputada, o avanço das investigações e a produção de estudos técnicos independentes são fundamentais para garantir respostas às comunidades afetadas e aperfeiçoar as políticas de prevenção.
— A longo prazo, é fundamental que essas situações recebam muito mais atenção e planejamento. É preciso investir em prevenção e gestão de riscos para que situações como essa não se repitam — destacou.
Luciana Genro informou que continuará acompanhando as investigações e cobrando medidas de proteção às comunidades atingidas, além de ações para reduzir os riscos de novos episódios semelhantes na região.





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