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São Jerônimo, RS,27/04/2026

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MARCELO NORONHA | Entre a previsão e a omissão: o Brasil que espera a água subir

Modelos climáticos e centros de pesquisa vêm alertando que o segundo semestre de 2026 pode trazer chuvas acima da média e eventos extremos no Sul, reacendendo o temor após a tragédia recente no Rio Grande do Sul.

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MARCELO NORONHA | Entre a previsão e a omissão: o Brasil que espera a água subir Entre a previsão e a omissão: o Brasil que espera a água subir
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Marcelo Noronha*

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Há algo profundamente inquietante no cenário que se desenha para 2026. Não é apenas o clima — que já dá sinais claros de mudança — mas a repetição de um comportamento político conhecido: a espera. Espera-se a chuva cair, o rio subir, a cidade alagar… para então agir.

Os dados estão postos. Órgãos oficiais como o INMET, com base em modelos do NOAA, indicam uma probabilidade superior a 80% de formação do El Niño ao longo de 2026, fenômeno que historicamente aumenta o volume de chuvas no Sul do Brasil. A OMM já admite que o evento pode se consolidar entre maio e julho, com impactos globais nas precipitações

Não é surpresa. Não é imprevisível. Não é exceção.

E mesmo assim, a sensação é de que seguimos operando sob a lógica da reação — nunca da prevenção.

Modelos climáticos e centros de pesquisa vêm alertando que o segundo semestre de 2026 pode trazer chuvas acima da média e eventos extremos no Sul, reacendendo o temor após a tragédia recente no Rio Grande do Sul. Relatórios apontam inclusive o risco de intensificação do fenômeno, com potencial para agravar alagamentos e cheias.

Diante disso, a pergunta inevitável não é “se” teremos problemas — mas o que está sendo feito antes que eles aconteçam.

A resposta, infelizmente, ainda soa tímida.

Há anúncios de planos, investimentos e calendários simbólicos. O governo do estado fala em bilhões destinados à reconstrução e prevenção, além de campanhas de conscientização. Mas a distância entre o discurso institucional e a realidade concreta das cidades vulneráveis continua evidente. Planejamento que não chega na ponta, obras que não saem do papel, sistemas de drenagem que permanecem insuficientes.

E, sobretudo, uma ausência gritante de políticas estruturais voltadas às populações que sempre pagam o preço mais alto: os que vivem nas áreas de risco.

O mais desconfortável é perceber que estamos em um ano eleitoral. E, historicamente, tragédias naturais no Brasil frequentemente se transformam em palco. Não de soluções — mas de narrativas. A enchente vira cenário, a lama vira pano de fundo, e a ajuda humanitária vira conteúdo de rede social.

A imagem se repete: autoridades de botas limpas, celular em punho, registrando o momento. A legenda quase automática — “ajudando na enchente”.

Mas ajudar não é aparecer depois.

Ajudar é impedir antes.

É aqui que reside o ponto central: não falta informação, falta decisão.

Os alertas estão sendo emitidos com meses de antecedência. A ciência está cumprindo seu papel. O que se questiona é a capacidade — ou a vontade — de transformar esses dados em ações concretas, coordenadas e urgentes.

Porque quando a água sobe, não há discurso que a contenha.

E quando ela recua, o que fica não deveria ser apenas destruição — mas também responsabilidade.

2026 ainda não aconteceu.

Mas o erro de esperar que ele aconteça… esse já é velho conhecido.


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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