Petrobras avalia anular leilão de gás de cozinha após críticas de Lula
Concorrência teve ágio de até 117% e pode impactar preço ao consumidor
Na operação, foi negociado o equivalente a cerca de 11% do consumo nacional de GLP A Petrobras estuda cancelar o leilão de gás de cozinha realizado nesta semana, após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A concorrência terminou com ágios superiores a 100%, o que gerou preocupação sobre possíveis impactos no preço final do produto.
Durante entrevista, Lula afirmou que a realização do leilão contrariou a orientação do governo e indicou que a medida poderá ser anulada.
— Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra — declarou.
O leilão havia sido inicialmente suspenso na semana passada, enquanto governo e Petrobras discutiam alternativas para reduzir os efeitos da alta internacional dos combustíveis. Sem acordo, a venda foi realizada na terça-feira (31).
Na operação, foi negociado o equivalente a cerca de 11% do consumo nacional de GLP (gás liquefeito de petróleo) previsto para abril. Os lances começaram com ágios próximos de 30%, mas chegaram a até 117%, mais que dobrando o valor inicial.
Segundo informações de bastidores, a própria direção da estatal teria informado ao governo que o leilão ocorreu sem autorização superior. A companhia não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Internamente, um dos argumentos para o cancelamento envolve a possibilidade de penalidades previstas em medida provisória recente, que trata de subsídios ao diesel e prevê sanções para aumentos considerados abusivos nos preços de derivados de petróleo.
O cenário é pressionado pela alta internacional do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Desde o início das tensões, o preço do GLP importado subiu cerca de 60%, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Diante desse contexto, o governo também avalia medidas para conter o impacto no bolso da população, incluindo possíveis subsídios. O preço do gás de cozinha é considerado estratégico, especialmente para famílias de baixa renda atendidas por programas sociais.
Distribuidoras do setor alertam que a escalada de custos pode comprometer o abastecimento e a manutenção de programas de acesso ao gás, caso não haja atualização nos valores de referência.






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