Ex-prefeito é preso em operação da Polícia Federal
Investigação apura suposto desvio de recursos federais e direcionamento de contratos durante gestão municipal
Investigação apura suposto desvio de recursos federais e direcionamento de contratos durante gestão municipal A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), nova fase de uma operação que investiga suposto desvio de recursos públicos federais no Vale do Taquari. Entre os presos está o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (União Brasil), que governou o município entre 2017 e 2023, quando era do PP, e também ocupou o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano. As informações são da Zero Hora.
A prisão é temporária, com prazo inicial de cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período. A medida foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região com o objetivo de evitar possível combinação de versões entre investigados e eventual destruição de provas. Segundo o delegado responsável pelo caso, Marconi Silva, mensagens analisadas indicariam risco de eliminação de elementos relevantes para o inquérito.
Caumo deverá ser encaminhado ao Presídio Estadual de Lajeado e deve prestar depoimento nos próximos dias.
Contratos sob suspeita
A investigação apura irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados ao município. Conforme a PF, há indícios de direcionamento na contratação de empresa responsável por serviços terceirizados, como psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas.
A contratação ocorreu por dispensa de licitação, sob justificativa de estado de calamidade pública decretado após enchentes na região. Auditoria da Controladoria-Geral da União aponta suspeitas de que a escolha da empresa não observou critérios de proposta mais vantajosa e que os valores firmados estariam acima dos praticados no mercado.
O montante inicial dos contratos investigados soma cerca de R$ 120 milhões. Os envolvidos podem responder por crimes de desvio de verbas públicas, fraudes em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
Dinheiro apreendido e outros alvos
Antes de assumir a prefeitura, Caumo atuou como advogado de uma das empresas investigadas. Durante cumprimento de mandados, agentes encontraram R$ 411 mil em espécie em um cofre localizado em escritório onde ele trabalhava. A origem do dinheiro também é apurada.
Além do ex-prefeito, uma empresária ligada à empresa beneficiada foi presa, e uma vereadora de Encantado foi afastada do cargo. Ao todo, foram cumpridos mandados em 20 endereços nas cidades de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 5 milhões em ativos financeiros e o sequestro de veículos.
A reportagem solicitou posicionamento da defesa de Marcelo Caumo e aguarda retorno.






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