Morre J.R. Guzzo, aos 82 anos, colunista crítico do governo Lula e do STF
Jornalista teve longa trajetória na imprensa brasileira, dirigiu a revista Veja por 15 anos e escreveu até seus últimos dias no ‘Estadão’, com textos marcados por posição conservadora
José Roberto Guzzo Faleceu neste sábado (2), aos 82 anos, o jornalista José Roberto Guzzo, conhecido como J.R. Guzzo, vítima de um infarto. Segundo familiares, ele já sofria de problemas crônicos cardíacos, pulmonares e renais.
Colunista do Estadão desde 2019, Guzzo mantinha uma rotina ativa de produção. Sua última coluna foi enviada à redação na sexta-feira (1º) e publicada no sábado (2). No texto, ele afirma que “o governo brasileiro decidiu que Moraes, cujas decisões e conduta são o verdadeiro motivo pelo qual os americanos adotaram as sanções, está acima das obrigações humanas, como os arcanjos e os profetas”.
Seguindo o tom que marcava seus escritos mais recentes, Guzzo foi um crítico contumaz da gestão do presidente Lula (PT) e da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente do ministro Alexandre de Moraes. Em suas colunas, ele frequentemente abordava o que via como excessos judiciais, autoritarismo institucional e o avanço da esquerda sobre liberdades individuais.
Além do Estadão, Guzzo também escrevia para GZH, Zero Hora, Gazeta do Povo e O Estado de S. Paulo, e era um dos fundadores da revista Oeste, criada em 2020 com linha editorial abertamente conservadora. “Ser conservador, em nosso entendimento, é defender claramente que as coisas boas sejam conservadas”, escreveu ele ao definir a proposta da publicação.
— Estou muito triste porque hoje morreu senão o maior e melhor jornalista de todos os tempos, um dos maiores e melhores jornalistas que o Brasil já teve — lamentou seu filho, Roberto Guzzo, ao Estadão.
Trajetória
Guzzo iniciou sua carreira em 1961 como repórter do Última Hora, em São Paulo. Depois, atuou no recém-lançado Jornal da Tarde, onde foi correspondente em Paris. Em 1968, passou a integrar a equipe fundadora da revista Veja, como editor de Internacional. Atuou também como correspondente em Nova York, cobriu a guerra do Vietnã e foi o único jornalista brasileiro presente no histórico encontro entre Richard Nixon e Mao Tsé-tung, na China, em 1972.
Aos 32 anos, em 1976, assumiu a direção da Veja, cargo que ocupou por 15 anos. Nesse período, transformou a publicação em uma das revistas mais influentes do mundo, com circulação próxima de 1 milhão de exemplares semanais. Seu talento para revisar e aprimorar textos lhe rendeu o apelido de “mão peluda” na redação.
Em 1988, passou também a dirigir a revista Exame, que reformulou e consolidou como a mais rentável da Editora Abril. Deixou a Veja em 1991, mas seguiu à frente da Exame até 2002, como diretor editorial e depois como publisher.






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