Moradora de Charqueadas morre em busca de atendimento médico
Sem transporte do Samu ou do Município de Charqueadas para São Jerônimo, paciente morreu em um táxi a caminho do hospital
Policlínica Municipal de Charquedas Cauê Florisbal
Mais uma moradora de Charqueadas pode ter morrido em consequência da demora no transporte para o Hospital São Jerônimo. Segundo familiares de Gilce Maria Iung, 55 anos, o caso aconteceu no sábado, 3, quando ela se sentiu mal e o Serviço Médico de Urgência (Samu) foi acionado, mas a ambulância não chegou a tempo e ela morreu em um táxi a caminho do hospital.
Os problemas começaram na quinta-feira, 1º, quando os familiares tentaram atendimento do Samu para levar Gilce até o Hospital de São Jerônimo. O atendimento só aconteceu por volta das 6 horas da manhã de sexta-feira, 2, quando foi mandada uma ambulância para levar Gilce até São Jerônimo. Segundo Katiuscia Iung, filha de Gilce, após chegar ao hospital sua mãe ficou até as 22 horas no corredor por não ter leito e, após fazer diversos exames, os médicos deram alta para a paciente.
Já no sábado, 3, Gilce passou mal novamente e precisou ser levada de novo para o Hospital de São Jerônimo. Katiuscia conta que mais uma vez acionou o Samu, que não chegou até o local. Mesmo tendo uma ambulância da Samu parada ao lado da Policlínica, os familiares tiveram que chamar um táxi para ir até a cidade vizinha em busca de atendimento, mas não houve tempo para salvá-la e ela morreu a caminho do hospital.
Segundo Katiuscia, Gilce era diabética, não usava insulina e estava com a glicose baixa. Mas a família na sabe precisar se o que ocasionou a morte foi a demora no transporte ou a alta do hospital no dia anterior, segundo ela, sem que a paciente estivesse bem.
- Durante a manhã toda chamamos o Samu e não estava dando. Às 13 horas alguém da central me atendeu e disse que iria mandar a ambulância, que não chegava. Chamamos um táxi para ir até o Hospital de São Jerônimo, mas infelizmente ela chegou lá em óbito. A alta que ela ganhou sem estar boa ou a falta de atendimento do Samu, que deveria aparecer e não apareceu, é o que me deixa em dúvida se ela teria ou não sobrevivido – disse.
Katiuscia revela que seu irmão esteve no pronto atendimento e questionou sobre uma ambulância que tem estacionada ao lado da Policlínica e, segundo ela, ele foi informado que aquela ambulância não podia atender ninguém sem autorização da central do Samu.
Secretaria da Saúde não sabia do caso
Segundo Jaime Guedes da Silveira, diretor técnico da Secretaria Municipal de Saúde de Charqueadas, a Secretaria não tinha conhecimento do caso. Guedes informou que a Secretaria disponibiliza uma unidade móvel para levar o paciente até o atendimento. Guedes disse que o Município irá pedir informações ao Samu sobre o não atendimento à moradora do Centro da cidade. No entanto, ele acredita que não tinha ambulância na Policlínica no momento em que foi solicitado devido à grande demanda que chega até o local. Ele orienta que uma das alternativas nestas situações é pedir auxílio ao Corpo de Bombeiros Voluntários (CBV), que também faz o transporte de pacientes. O telefone do CBV é (51) 99890-1974.
O que diz o Hospital de São Jerônimo
Em nota, o Hospital de São Jerônimo informou que: “Durante a observação na emergência a paciente apresentou sinais estáveis, exames laboratoriais normais (incluindo gasometria) e recebeu alta assintomática. Retornou no outro dia em óbito. Somente o IML poderia afirmar a causa”.
Duas mortes semelhantes em 2017
> Em 11 de julho de 2017, Maria Pinheiro de Souza, 73, moradora do Bairro Parque dos Coqueiros, em Charqueadas, morreu em decorrência de uma crise respiratória quando estava a caminho do Hospital de São Jerônimo. Ela foi conduzida até a Policlínica de Charqueadas, mas não conseguiu atendimento porque não havia ninguém para atendê-la. Com isso, os familiares pediram que a levassem de ambulância para o Hospital de São Jerônimo, mas lhe disseram que a ambulância não poderá transporta a paciente naquele momento. Diante disso, a família resolveu transportar Maria de táxi até o Hospital de São Jerônimo, onde ela acabou chegando sem vida.
> Em 25 de maio de 2017, Adão Osmar da Silva, 65 anos, morador do Bairro São Miguel, em Charqueadas, faleceu vítima de um infarto. Segundo familiares, no sábado, 24, ele passou mal e foi levado à Policlínica. Como não havia médico no local, a alternativa foi buscar atendimento no Hospital de São Jerônimo. Sem o transporte de pacientes, Adão foi levado para o Hospital de São Jerônimo por particulares. Depois do atendimento em São Jerônimo, onde esteve em observação e foi constatado que seus sintomas eram considerados normais, foi liberado. Ele morreu na manhã seguinte.
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