João Adolfo Guerreiro
JOÃO GUERREIRO | Leituras pascoalinas: o Amor em 1João
Leão XIV: ‘Um Deus que rejeita a guerra’
João Adolfo Guerreiro
O Papa Leão XIV se pronunciou muito bem durante a Páscoa, afirmando que "Esse é o nosso Deus: Jesus. Rei da Paz. Um Deus que rejeita a guerra, que ninguém pode usar para justificar a guerra. Que não escuta, mas rejeita a oração de quem faz a guerra". Nunca podemos esquecer, a propósito, porque Jesus, no Getsêmani, pediu para Pedro enfiar sua espada na bainha (Jo 18, 10 - 11), pois quem vive pela espada por ela perecerá.
Nisto, nas leituras que busquei no período pascal, fui à primeira epístola de João, no Novo Testamento - NT. Tudo o que se precisa ler no NT, o essencial, ou seja, o Amor contido na Palavra de Jesus, está resumido naquela curta carta, escrita provavelmente entre 85 e 95 d.C. (1, p.1953), que autores do "século II como Papias, Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria, testemunham que é do apóstolo João" (1, p. 1953). Assim como vemos hoje pela advertência papal, "João refuta e condena com veemência os mestres, com suas crenças e condutas destruidoras" (1, p. 1954).
"O centro da carta é o amor, que traduz a fé em vida concreta. Amar ao próximo significa conhecer a Deus, viver na luz, estar unido a Deus e aos irmãos" (2, p. 1578). Neste sentido, vemos escrito em 1Jo 4, 7 - 16 que "Deus é Amor". Podemos citar quatro passagens da epístola de João onde tal é também explícito:
"Aquele que diz estar na luz e odeia seu irmão, jaz ainda nas trevas. (...) anda nas trevas, sem saber para onde dirige os passos; as trevas cegaram seus olhos" (1Jo 2, 9 -11).
"É nisso que se conhece quais são os filhos de Deus e quais os do demônio: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama o seu irmão " - 1Jo 3, 10.
"Pois essa é a mensagem que tendes ouvido desde o princípio: que nos amemos uns aos outros" - 1Jo 3, 11.
"(...) Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino" - 1Jo 3, 14-15.
Ainda sobre a primeira carta de João, é oportuno salientar que "é o único escrito do NT que fala de Jesus como 'Advogado para com o Pai', quando o crente fiel peca" (1, p. 1954). Uma outra observação pertinente a se fazer sobre esta informa que "é um dos escritos do NT mais marcados pelo pensamento que se exprime nos escritos da seita de Qumran: o duplo dualismo 'luz - trevas' e 'verdade - mentira'; o discernimento dos 'espíritos', que termina pela oposição entre 'espírito de verdade e espírito de erro', como em Qumran" (3, p. 1841).
REFERÊNCIAS:
1 - BÍBLIA de Estudos Pentecostal. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição corrigida e revisada por Donald C. Stamps. Rio de Janeiro: CPAD, 1995
2 - BÍBLIA Sagrada: edição pastoral. Tradução de Euclides M. Balançando, Ivo Storniolo e José Luiz G. Do Prado. São Paulo: Paulus, 1996
3 - Bíblia de Jerusalém. Nova edição revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002
4 - BÍBLIA Sagrada: tradução dos monges beneditinos de Maredsous. 9 edição. São Paulo: Ave-Maria, 2018 (usada para as citações do texto de 1João)



COMENTÁRIOS