Congresso Tradicionalista homenageia Glaucus Saraiva

Natural de São Jerônimo, Glaucus fundou o MTG junto com Barbosa Lessa e Paixão Côrtes

Por Portal de Notícias 13/01/2018 - 16:49 hs
Foto: Marcos Essvein
Congresso Tradicionalista homenageia Glaucus Saraiva
Carlos Fernando Poeta Conduziu a centelha da Chama Crioula

Com a presença do presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Nairioli Antunes Callegaro, representantes do Movimento e autoridades locais, foi aberto na noite de ontem, 12, o 66º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em São Jerônimo.

O evento é promovido pelo MTG, Fundação Cultural Gaúcha (FCG), com o apoio da 2ª Região Tradicionalista e do Município, e reúne tradicionalistas de todo o Rio Grande o Sul, até este domingo, 14. Entre as atrações está a promoção de jantares, sessões plenárias onde serão discutidas as diretrizes do Movimento Tradicionalista Gaúcha e votações para o Conselho Diretor da próxima edição. Também serão empossados os coordenadores das regiões tradicionalistas (RT) do estado. O atual presidente do MTG deverá ser mantido no cargo.

Homenagem a Glaucus Saraiva

O jeronimense Glaucus Saraiva, escritor, tradicionalista, pesquisador e músico com sua história marcada pelo envolvimento com a cultura gaúcha, é o homenageado do Congresso. Glaucus é um dos integrantes da chamada “Santíssima Trindade do Tradicionalismo”, junto com Paixão Côrtes e Barbosa Lessa, e presidiu três congressos.

Durante a cerimônia de abertura, a presidente da Comissão Organizadora do Congresso, Renata Pletz, destacou a importância de Glaucus Saraiva para o Movimento Tradicionalista. O professor Carlos Fernando Poeta, primo de Glaucus Saraiva, conduziu a centelha da Chama Crioula, que veio da 11ª Região Tradicionalista, para o interior do Ginásio Plácido Cunda dos Santos, onde permanecerá até domingo.

Quem foi Glaucus Saraiva

Glaucus Saraiva da Fonseca (São Jerônimo, 24 de dezembro de 1921 - Porto Alegre, 17 de julho 1983), Glaucus Saraiva, também conhecido como Glauco Saraiva, foi um poeta gaúcho, da poesia crioula, tradicionalista, folclorista, historiador, professor, pesquisador, escritor, conferencista, músico e compositor. É personagem importante do tradicionalismo gaúcho, juntamente com Paixão Cortes e Barbosa Lessa.

Era filho de Álvaro Saraiva da Fonseca e Luiza Saraiva da Fonseca, o filho mais novo de uma família tradicional gaúcha. Teve sete irmãos: Agamenon Saraiva da Fonseca, Demóstenes Saraiva da Fonseca, Marcos Vinicius Saraiva da Fonseca, Petronius Saraiva da Fonseca, Ligia Saraiva da Fonseca, Semíramis Saraiva da Fonseca, Iracema Saraiva da Fonseca. Deixou uma filha: Maria Luiza Saraiva Soares.

Foi sócio fundador da Estância da Poesia Crioula e do 35 Centro de Tradições Gaúcha, do qual foi o primeiro patrão. Idealizou e tornou realidade o IGTF - Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, órgão vinculado a Secretária de Estado da Cultura, instituído pelo Decreto n.º 23.613, de 27 de dezembro de 1974, tendo sido seu primeiro diretor técnico, e o Parque Histórico General Bento Gonçalves da Silva, na Estância do Cristal, em Camaquã, e o Galpão Crioulo do Palácio Piratini, que pelo Decreto Estadual nº 31.204, de 1º de agosto de 1983, passou a chamar-se Galpão Gaúcho Glaucus Saraiva.

Foi professor de folclore do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Música Palestrina, professor no Curso de Extensão Universitária da PUC (Folclore na Educação) e no SENAC (Culinária Gauchesca e Usos e Costumes do Sul), e conferencista internacional sobre folclore. Presidiu três congressos tradicionalistas: em Santa Vitória do Palmar (1973), Pelotas (1975) e Passo Fundo (1977). Desenvolveu, também, profunda pesquisa sobre os brinquedos tradicionais das crianças gaúchas, promovendo exposições e publicações a este respeito. Formulou a Carta de Princípios do MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho, o mais importante documento para a fixação da ideologia e dos compromissos tradicionalistas, aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, em julho de 1961 em Taquara-RS. Autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo.

Ele publicou ainda os ensaios “Manual do Tradicionalista” e “Catálogo da Mostra de Folclore Juvenil”. Foi vocalista dos conjuntos “Os Gaudérios” e “Quitandinha Serenaders” entre 1950 e 1955, além de atuar na Rádio Farroupilha e Rádio Nacional do Rio de Janeiro, de 1948 a 1955. Mas sua ligação com a música foi ainda mais profunda. É autor de Cigarro de Palha, Porongo Velho, Tropereada, O Rum é a Gente que Abre, Casa Grande de Estância (com Luiz Telles), entre outras.