MARCELO NORONHA | Quando a ciência transforma vidas
Quando um estudante de uma instituição pública recebe uma premiação desse porte, toda a comunidade vence. Vence a escola pública, vencem os professores, vencem as famílias e vence a sociedade
Também merece destaque o trabalho dos professores orientadores e coorientadores: Professor Leandro Noronha, Paulo Boesch e Klaus Boesch Marcelo Noronha*
Em tempos em que tantas notícias parecem apontar para a descrença nas instituições públicas, histórias como a da estudante Enri Medeiros Freitas surgem para nos lembrar do verdadeiro papel da educação e da ciência na construção de uma sociedade melhor.
A conquista do jovem pesquisador do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) Campus Charqueadas, ao receber o Prêmio Jovem Cientista da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, vai muito além de um reconhecimento individual. Ela representa o resultado concreto do investimento em educação pública de qualidade, pesquisa científica e inclusão social.
O projeto "Alfabetizador Braille: Educação e Inclusão” demonstram algo que muitas vezes passa despercebido no debate público: a ciência não existe apenas dentro de laboratórios sofisticados ou grandes universidades. Ela nasce da observação dos problemas reais da sociedade e da busca por soluções que possam melhorar a vida das pessoas. Neste caso, o objetivo é tornar mais acessível o processo de alfabetização de pessoas com deficiência visual, contribuindo para a inclusão e para a garantia de direitos fundamentais.
É impossível não destacar o papel dos Institutos Federais nesse processo. Criados para democratizar o acesso à educação técnica, tecnológica e científica, os IFs têm revelado talentos em todas as regiões do país. Em cidades do interior, longe dos grandes centros, jovens encontram oportunidades para desenvolver pesquisas capazes de gerar impacto social e reconhecimento estadual, nacional e até internacional.
Quando um estudante de uma instituição pública recebe uma premiação desse porte, toda a comunidade vence. Vence a escola pública, vencem os professores que dedicam seu conhecimento à formação dos alunos, vencem as famílias que acreditam no poder da educação e vence a sociedade, que passa a contar com soluções desenvolvidas para atender suas necessidades.
Também merece destaque o trabalho dos professores orientadores e coorientadores: Professor Leandro Noronha, Paulo Boesch e Klaus Boesch. A pesquisa científica é um esforço coletivo. Por trás de cada estudante premiado existe uma rede de educadores que estimula a curiosidade, incentiva a criatividade e ajuda a transformar boas ideias em projetos concretos. O sucesso da ciência brasileira passa necessariamente pela valorização desses profissionais.
Em um país que ainda enfrenta desafios históricos na área da educação, exemplos como este mostram que o caminho não está na redução de investimentos ou no enfraquecimento das instituições públicas. Pelo contrário. O desenvolvimento econômico, tecnológico e social depende de mais ciência, mais pesquisa e mais oportunidades para os jovens.
A frase dita por Enri durante a cerimônia resume com precisão essa realidade: "A educação é um caminho que pode transformar tua vida, ela pode realizar teus sonhos". Não se trata apenas de um discurso inspirador. Trata-se da prova viva de que, quando o conhecimento encontra oportunidade, os resultados aparecem.
Que a conquista do jovem cientista de Charqueadas sirva de inspiração para milhares de estudantes e como um lembrete aos gestores públicos: investir em educação e ciência nunca é gasto. É investimento no futuro, na inovação e, acima de tudo, nas pessoas.

(*) Marcelo Noronha, jornalista





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