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São Jerônimo, RS,08/04/2026

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MARCELO NORONHA | Entre a Lua e a Terra: uma vontade bem-humorada de escapar — e voltar

A missão da NASA não é só tecnológica. Ela é, de certa forma, simbólica. Nos lembra que, mesmo em meio às turbulências, a humanidade ainda é capaz de olhar para cima, sonhar grande e, quem sabe, rir um pouco de si mesma no caminho.

Nasa / Divulgação
MARCELO NORONHA | Entre a Lua e a Terra: uma vontade bem-humorada de escapar — e voltar Se algum dia abrirem inscrições para um “bate-volta lunar”, deixo aqui registrado: eu vou
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Marcelo Noronha*

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Há dias em que acordamos com a sensação de que o mundo ficou grande demais. Guerras que parecem não ter fim, decisões políticas que mais confundem do que explicam e um noticiário que exige da gente uma capacidade quase sobre-humana de compreensão. Foi nesse cenário que me deparei com a mais recente newsletter do The New York Times, do dia 07/04/2026, assinada por Sam Sifton, que começou de um jeito inusitado: levando o leitor para trás da Lua.

Sim, a bordo da missão Artemis II, da NASA, astronautas cruzaram o lado oculto do nosso satélite natural e, por alguns minutos, ficaram completamente fora do alcance da Terra. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum “você viu o que aconteceu agora?”. Confesso: senti uma pontinha de inveja.

Não pela coragem, nem pela ciência envolvida — que são admiráveis —, mas pela experiência quase poética de simplesmente... desconectar. Imaginar-se flutuando no silêncio absoluto do espaço, sem notificações, sem breaking news, sem opiniões inflamadas. Só você, o vazio e uma vista privilegiada da Terra — aquele pontinho azul que, daqui de longe, parece tão pequeno e, ironicamente, tão complicado.

Enquanto isso, aqui embaixo, seguimos tentando entender a escala dos conflitos, como a guerra envolvendo o Irã, que o próprio jornal se esforça para traduzir com mapas, comparações e analogias. E talvez esse seja o ponto: a escala. Porque, convenhamos, é difícil dimensionar o caos quando estamos com os pés no chão — e a cabeça cheia.

Por isso, me permito um pensamento pouco científico, mas profundamente humano: e se a gente pudesse dar uma escapadinha até a Lua de vez em quando? Não para ficar, claro — a saudade do café passado na hora e do barulho da vida bateria rápido —, mas para ganhar perspectiva. Para olhar tudo de longe e perceber que, talvez, o mundo não seja tão grande quanto parece nos dias mais pesados.

Imagino o roteiro: embarcar, dar a volta pelo lado oculto, ficar uns minutinhos em silêncio absoluto e depois voltar. Voltar com outra cabeça, outro olhar, talvez até com mais paciência. Porque, no fim das contas, não é sobre fugir da Terra — é sobre reaprender a habitá-la.

A missão da NASA não é só tecnológica. Ela é, de certa forma, simbólica. Nos lembra que, mesmo em meio às turbulências, a humanidade ainda é capaz de olhar para cima, sonhar grande e, quem sabe, rir um pouco de si mesma no caminho.

Se algum dia abrirem inscrições para um “bate-volta lunar”, deixo aqui registrado: eu vou. Nem que seja só para desligar o celular por 40 minutos — e voltar com histórias que nem o noticiário mais intenso consegue contar.


Marcelo Noronha - jornalista


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