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São Jerônimo, RS,01/04/2026

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Doenças de pele afetam milhões de brasileiros, mas mais da metade da população nunca foi ao dermatologista

Pesquisa nacional revela que 54% dos brasileiros com mais de 16 anos jamais passaram por uma consulta dermatológica, e o atraso no diagnóstico agrava condições tratáveis

Freepik / Reprodução
Doenças de pele afetam milhões de brasileiros, mas mais da metade da população nunca foi ao dermatologista Cerca de 90 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais nunca se consultaram com um dermatologista
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Uma pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e divulgada em 2025, trouxe um número que chama atenção: cerca de 90 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais nunca se consultaram com um dermatologista.

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O dado, publicado no dossiê "Brasil à Flor da Pele", foi coletado em 136 municípios de todas as regiões do país e revelou que apenas 12% da população procurou o especialista no último ano.

A distância entre a queixa e a consulta não é nova, mas ganhou contornos mais claros com o levantamento. Um em cada quatro entrevistados sequer sabia que o dermatologista é médico. Metade da população desconhece que esse profissional realiza cirurgias, trata doenças capilares e cuida de unhas e mucosas, além da pele.

Na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul, onde municípios como São Jerônimo, Charqueadas e Butiá ainda contam com poucos serviços especializados, a realidade se repete.

A oferta limitada de dermatologistas na rede pública e a distância até centros de referência fazem com que moradores convivam por meses, às vezes anos, com problemas de pele sem diagnóstico correto.

As doenças que mais levam brasileiros ao consultório

O Inquérito Epidemiológico da SBD, realizado entre agosto e setembro de 2024 com a participação de 300 dermatologistas e mais de 26 mil atendimentos ambulatoriais, mapeou o que leva os brasileiros a procurar a especialidade.

A acne foi o diagnóstico mais frequente, responsável por 9,5% dos casos, com quase 80% dos atendimentos feitos na rede privada e maior concentração entre jovens de 13 a 24 anos. Logo atrás apareceu a psoríase, com 7,1% dos registros, predominando entre adultos de 25 a 59 anos.

Esses dados confirmam um padrão que vem sendo observado há quase duas décadas. Em 2006, o primeiro censo dermatológico da SBD, que analisou mais de 55 mil pacientes, já apontava acne como a principal queixa nos consultórios.

Na sequência vinham micoses superficiais, transtornos de pigmentação (como melasma e manchas solares), ceratose actínica e dermatites de contato. A edição de 2018 do estudo manteve o mesmo perfil, e a de 2024 reforça que o cenário pouco mudou.

O que mudou, nos últimos anos, foi a percepção de que essas condições não são apenas "problemas estéticos". Estudos publicados nos Anais Brasileiros de Dermatologia mostram que doenças de pele têm impacto direto na qualidade de vida, nas relações sociais e na saúde mental dos pacientes.

Dermatite atópica, psoríase e acne estão associadas a quadros de ansiedade e depressão, especialmente quando o tratamento demora a começar.

A pele clara do Sul e os riscos que vêm com ela

A região Sul do Brasil concentra uma população com alta proporção de fototipos claros, herança da colonização europeia. Moradores de municípios como São Jerônimo, Arroio dos Ratos e Butiá, com ascendência alemã, italiana e portuguesa, produzem menos melanina, o pigmento que protege a pele contra a radiação ultravioleta.

Essa característica torna a região mais vulnerável a problemas dermatológicos ligados ao sol. Ceratose actínica, manchas solares, melasma e envelhecimento precoce da pele são condições frequentes entre quem trabalha ao ar livre sem proteção adequada.

A ceratose actínica, por exemplo, aparece em levantamentos da SBD como a queixa mais frequente entre pacientes com 65 anos ou mais, respondendo por 17,2% das consultas nessa faixa etária.

Na Região Carbonífera, onde a agricultura e a atividade ao ar livre fazem parte da rotina, a exposição solar acumulada ao longo dos anos amplifica o problema.

No levantamento mais recente da SBD, 61% dos brasileiros atendidos durante a campanha Dezembro Laranja declararam se expor ao sol sem proteção.

O número impressiona, considerando que os participantes dessas campanhas são, em geral, pessoas que já demonstram alguma preocupação com a saúde da pele. Na população que não chega a procurar o serviço, a taxa tende a ser ainda maior.

O abismo entre a rede pública e a privada

Os dados do Inquérito Epidemiológico de 2024 revelam diferenças marcantes entre quem busca atendimento no SUS e quem usa a rede privada. Na saúde suplementar, 42,8% das consultas foram de pacientes em primeira avaliação, o que indica procura ativa por cuidado. Na rede pública, 68,7% dos atendimentos foram retornos, sugerindo um perfil de acompanhamento de doenças crônicas já instaladas.

A renda funciona como divisor claro. Segundo o dossiê do Datafolha, 69% das pessoas de classe A e 66% da classe B já passaram por um dermatologista. Na classe C, essa proporção cai para 46%. Nas classes D e E, chega a 32%.

A escolaridade segue o mesmo padrão: 90,2% dos pacientes com ensino superior completo utilizaram a rede privada, enquanto usuários com baixa escolaridade dependem quase que totalmente do serviço público.

No Rio Grande do Sul, o volume de consultas dermatológicas no SUS atingiu uma queda acentuada em 2020, durante a pandemia, e só retornou ao patamar anterior em 2024, com cerca de 3,97 milhões de atendimentos em todo o país.

Na saúde suplementar, o número de consultas no mesmo período chegou a ultrapassar 10 milhões. A diferença mostra que, para boa parte da população, o acesso ao dermatologista continua sendo limitado.

Quando procurar o dermatologista

Existem sinais que indicam a necessidade de avaliação especializada, mas que muita gente ignora por considerá-los "normais". Manchas que mudam de cor ou tamanho ao longo dos meses, coceira persistente que não responde a hidratantes comuns, descamação localizada, queda de cabelo fora do padrão habitual e lesões que não cicatrizam em quatro semanas são exemplos de situações que pedem uma consulta.

A acne, quando tratada precocemente, tem resposta excelente e evita cicatrizes permanentes. A psoríase, embora crônica, pode ser controlada com protocolos que melhoram de forma significativa a qualidade de vida.

O melasma, frequente em mulheres entre 20 e 50 anos, tem tratamento eficaz quando acompanhado por um especialista que ajusta a conduta conforme a resposta da pele. Micoses que persistem depois de tratamentos caseiros também merecem atenção, porque podem indicar resistência ao medicamento ou erro no diagnóstico inicial.

Para quem mora em cidades menores, onde o acesso a especialistas é restrito, a busca por uma clínica de dermatologista com estrutura para diagnóstico e tratamento completo evita idas e vindas entre diferentes serviços.

Clínicas que oferecem dermatoscopia, procedimentos cirúrgicos e acompanhamento clínico no mesmo espaço reduzem o tempo entre a primeira consulta e o início do tratamento.

O que verificar antes de marcar uma consulta

A SBD recomenda que o paciente cheque se o profissional tem registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em dermatologia.

Esses dados podem ser consultados no site do Conselho Federal de Medicina. A verificação é importante porque existem profissionais que se apresentam como dermatologistas sem ter concluído residência médica na especialidade.

A diferença na formação é relevante: o dermatologista titular da SBD passou por, no mínimo, seis anos de graduação em medicina seguidos de três anos de residência específica e aprovação em exame de título.

Procedimentos como preenchimentos, toxina botulínica, lasers e peelings profundos envolvem riscos quando realizados por pessoas sem formação médica. O presidente da SBD, Carlos Barcaui, tem alertado sobre o aumento de complicações causadas por procedimentos feitos por profissionais não habilitados.

Em entrevista ao Correio Braziliense, em dezembro de 2025, ele reforçou que o dermatologista é o único profissional com formação para indicar o tratamento, executá-lo e tratar possíveis complicações.

Um problema de saúde pública que começa pela informação

O dossiê "Brasil à Flor da Pele" mostrou que o desconhecimento é tão grave quanto a falta de acesso. Quando a população não sabe o que o dermatologista faz, não procura o profissional.

Quando não procura, condições simples evoluem para quadros mais difíceis de tratar. E quando o tratamento chega tarde, o custo sobe, tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde.

Na Região Carbonífera, onde o perfil demográfico e os hábitos de trabalho ao ar livre colocam os moradores em contato constante com fatores de risco para doenças de pele, o acesso à informação pode ser o primeiro passo.

De acordo com a dermatologista Dra. Mariana Cabral, que está estabelecida em Goiânia, saber que a pele é o maior órgão do corpo, que doenças dermatológicas respondem por uma fatia significativa dos atendimentos médicos no Brasil e que a maioria dessas condições tem tratamento eficaz quando diagnosticada cedo pode mudar a relação de muita gente com a própria saúde.

A recomendação da SBD é objetiva: ao menos uma consulta dermatológica por ano, mesmo sem sintomas. Para quem vive no Sul do país, com pele clara e rotina de exposição solar, esse cuidado é ainda mais relevante.


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