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São Jerônimo, RS,26/03/2026

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Margem de combustíveis sobe até 103% e pressiona preços ao consumidor

Relatório aponta avanço nos ganhos de distribuidoras e postos, enquanto setor atribui alta a custos logísticos e importações

Carla Miller Trainini / Banco de Imagens
Margem de combustíveis sobe até 103% e pressiona preços ao consumidor Margem de combustíveis sobe até 103% e pressiona preços ao consumidor
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As margens de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis registraram aumento expressivo desde o início de 2026, chegando a até 103% em alguns casos, segundo dados do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, do Ministério de Minas e Energia (MME). O movimento ocorre em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio.

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De acordo com o levantamento, a diferença entre o valor de compra e o preço de revenda da gasolina subiu cerca de 28% desde janeiro. Já o diesel S-10 teve aumento superior a 17% na margem. O maior avanço foi observado no diesel S-500, utilizado principalmente por veículos mais antigos, cuja margem mais que dobrou no período.

Especialistas apontam que a alta não é recente, mas ganhou força nos últimos meses. Desde 2021, as margens acumulam aumentos de 302% no diesel S-500, 115% no diesel S-10 e 90% na gasolina — índices bem acima da inflação registrada no período.

A elevação coincide com a instabilidade no mercado internacional e com medidas adotadas pelo governo federal para conter os preços, como redução de impostos e subsídios. Ainda assim, o repasse ao consumidor segue pressionado.

Representantes do setor negam prática abusiva e afirmam que o aumento das margens está ligado à elevação dos custos operacionais. Entre os fatores citados estão reajustes salariais, aumento do frete rodoviário — especialmente durante o escoamento da safra —, além da ampliação das importações de combustíveis, que têm custo mais elevado.

Segundo empresários, a necessidade de importar mais produto também elevou despesas com transporte marítimo e capital de giro, impactando diretamente o preço final.

Diante do cenário, o governo federal intensificou a fiscalização por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com foco em possíveis práticas abusivas. Uma força-tarefa recente inspecionou mais de 150 agentes econômicos em diversos estados, resultando em autuações e interdições.

As ações são baseadas em medidas que ampliaram o poder de fiscalização da agência. Empresas que forem condenadas por irregularidades podem sofrer multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, conforme a gravidade da infração.

O avanço das margens preocupa o governo, que tenta evitar que os aumentos anulem os efeitos das medidas adotadas para reduzir o preço dos combustíveis ao consumidor final.


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