Polícia desarticula grupo que usava drones para enviar armas, drogas e celulares a presídios
A ação, batizada de Operação Rasante, teve origem em uma ocorrência registrada em 2025, em Charqueadas
A ação, batizada de Operação Rasante, teve origem em uma ocorrência registrada em 2025, em Charqueadas O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), uma operação contra um grupo criminoso que utilizava drones para enviar celulares, drogas e armas para dentro de presídios no Rio Grande do Sul. Ao todo, foram cumpridos 34 mandados de prisão e 34 de busca e apreensão em unidades prisionais e residências de suspeitos em diferentes regiões do Estado. Até o momento, 26 pessoas foram presas.
Durante a ofensiva, os agentes apreenderam drones, celulares, chips telefônicos e até carteiras funcionais falsas da Polícia Civil. A ação, batizada de Operação Rasante, teve origem em uma ocorrência registrada em 2025, em Charqueadas, quando quatro pessoas foram flagradas pela Brigada Militar utilizando um drone para transportar celulares até a Penitenciária de Alta Segurança do município.
A partir da análise dos aparelhos apreendidos, a Polícia Civil identificou um esquema estruturado e recorrente, com uso sistemático de drones para abastecer detentos em presídios de cidades como Charqueadas, Arroio dos Ratos, Canoas, Bento Gonçalves e Osório. As investigações apontam que os próprios celulares dos suspeitos continham registros de voos, imagens e dados georreferenciados das operações.
De acordo com a apuração, o grupo possuía divisão de funções, com um núcleo técnico responsável pela montagem, adaptação e pilotagem dos drones, e outro operacional, encarregado da logística e execução dos envios. Um especialista, conhecido como “droneiro”, coordenava a parte técnica, incluindo modificações para aumentar autonomia, alcance e capacidade de carga dos equipamentos.
Os voos eram realizados, em sua maioria, durante a madrugada, com o uso de drones equipados com sensores térmicos e compartimentos adaptados para transporte de materiais ilícitos. Em algumas situações, os criminosos utilizavam jet-skis para fugir por vias aquáticas ao perceberem a aproximação policial.
As investigações também revelaram que apenados participavam diretamente da organização do esquema e que os equipamentos utilizados tinham alto custo, podendo transportar até 25 celulares por viagem. Dentro dos presídios, cada aparelho poderia ser comercializado por valores que chegavam a R$ 70 mil.
Segundo a Polícia Civil, não há indícios de envolvimento de servidores do sistema prisional. As cargas eram recolhidas pelos detentos com o uso de ganchos improvisados dentro das celas.
O caso segue em investigação, com foco na identificação de outros envolvidos e no desmantelamento completo da estrutura criminosa.






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