Estados rejeitam pedido de Lula para reduzir ICMS sobre combustíveis
Secretários de Fazenda afirmam que corte de imposto pode não baixar preços e comprometer serviços públicos
Estados rejeitam pedido de Lula para reduzir ICMS sobre combustíveis Governos estaduais manifestaram rejeição ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para redução do ICMS sobre combustíveis como forma de conter a alta do diesel. A posição foi divulgada nesta terça-feira (17/03) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), que avalia que a medida não garante queda no preço final ao consumidor e pode provocar perdas significativas de arrecadação.
Segundo a entidade, a diminuição do imposto pode impactar diretamente o financiamento de áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública. Os secretários argumentam que não há evidências consistentes de que reduções tributárias sejam integralmente repassadas ao valor cobrado nos postos de combustíveis.
Argumentos apresentados pelos estados
Em nota, o Comsefaz citou dados que indicam que, nos últimos três anos, o preço da gasolina teve redução de 16% nas refinarias, enquanto registrou aumento de 27% nas bombas. Para os secretários, isso demonstra que parte dos benefícios de cortes de custos pode ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda, limitando o impacto para o consumidor final.
A manifestação ocorre após o governo federal anunciar um pacote de medidas para enfrentar a elevação do diesel no mercado internacional. Entre as ações estão a zeragem de tributos federais sobre o combustível, concessão de subsídios a produtores e importadores e incentivos para ampliar o refino interno.
Integrantes da equipe econômica também defenderam que os estados reduzam o ICMS para potencializar os efeitos das medidas. O presidente Lula chegou a solicitar “boa vontade” dos governadores para colaborar dentro das possibilidades fiscais de cada unidade da federação.
Impacto fiscal e modelo de cobrança
Os estados ressaltam que já vêm contribuindo para amortecer oscilações nos preços por meio do modelo atual de tributação monofásica, no qual o ICMS é cobrado em valor fixo por litro. Nesse sistema, altas provocadas por crises internacionais ou variações cambiais não são automaticamente acompanhadas pelo imposto.
Além disso, o Comsefaz aponta que mudanças recentes na legislação sobre combustíveis geraram perdas acumuladas de arrecadação estimadas em R$ 189 bilhões entre 2022 e 2025 para estados e o Distrito Federal.
Os secretários destacam ainda a diferença de capacidade financeira entre a União e os governos estaduais. Enquanto o ICMS representa cerca de 20% da receita dos estados, o governo federal conta com fontes mais diversificadas de arrecadação, incluindo receitas ligadas ao setor petrolífero.
O debate sobre a redução do imposto ocorre em meio à preocupação com o impacto do preço dos combustíveis no custo de vida e no transporte de mercadorias em todo o país.






COMENTÁRIOS