PF prende ex-presidente do INSS e faz buscas contra deputados
Ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro é obrigado a usar tornozeleira eletrônica; defesas ainda não se manifestaram
Stefanutto foi afastado em abril deste ano A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13/11) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios de recursos de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação cumpre dez mandados de prisão e outras medidas cautelares, além de 63 mandados de busca e apreensão em 15 estados e no Distrito Federal.
Entre os alvos de prisão está o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, investigado por suspeita de ter permitido irregularidades durante sua gestão. Ele assumiu o comando do órgão em julho de 2023, já no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa de Stefanutto ainda não se pronunciou.
Outro alvo da operação é o ex-ministro do Trabalho e Previdência e também ex-presidente do INSS no governo de Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial. A defesa dele também não se manifestou até o momento.
Prisões e alvos da operação
Entre os presos estão Cícero Marcelino, Tiago Abraão Ferreira Lopes e Samuel Chrisostomo do Bomfim Júnior, ligados à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Também foi preso Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho.
A PF ainda cumpriu novo mandado de prisão contra o lobista Antônio Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, que já estava preso desde setembro. As defesas dos investigados não se manifestaram sobre as prisões.
Deputados também são investigados
A operação também atinge parlamentares. Foram realizadas buscas nos endereços do deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), apontado por vender uma aeronave a uma das entidades suspeitas de envolvimento nos desvios, e do deputado estadual Edson Cunha de Araújo (MA), que presidiu uma associação de pescadores usada para descontos irregulares em benefícios previdenciários. Ambos ainda não se pronunciaram.
Estados atingidos e crimes apurados
Os mandados foram cumpridos no Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.
De acordo com nota da Polícia Federal, os investigados podem responder por inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de lavagem e ocultação de bens.
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
Segundo a PF, o objetivo é desarticular um esquema que manipulava cadastros e benefícios previdenciários para desviar valores públicos, envolvendo empresários, servidores e políticos.
Com informações do Estadão






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